A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 24/10/2022

No aforismo “O mais escandaloso dos escandalos é que nos habituamos a eles”, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, é articulado a ideia da capacidade social de se acostumar com o inaceitável. Analogamente, o amadurecimento precoce é um problema que frequentemente é normalizado, sendo forte influência na formação psicossocial dos jovens, desenvolvendo um indivíduo prematuro para lidar com tantos problemas. Portanto, a normalização do amadurecimento precoce é um problema cultural e provoca diversos distúrbios na criança.

Em primeiro plano, cabe ressaltar que a cultura familiar no Brasil ainda reforça paradigmas do período industrial, pois progressivamente as crianças são forçadas a entregar mais resultados em menos tempo. Assim, o livro " A metamorfose", do escritor Franz Kafka, mostra um protagonista que por se tornar uma barata não consegue sustentar a família e se torna excluído por todos. Similarmente, o problema do amadurecimento juvenil precoce está relacionado com essa cultura de ser valorizado apenas pelo que faz ou produz, reforçando na criança uma constante necessidade de aceitação social.

Outrossim, na modernidade, a constante busca por um estereótipo de vida bem suscedida é a fonte para inúmeros problemas psicológicos e físicos, nas crianças essa imposição desses estereótipos também acontece. Nesse sentido, o teólogo Leonardo Boff, em sua máxima “Os olhos veem a partir de onde os pés pisam”, articula a influência do meio no indivíduo. Paralelamente, o ambiente capitalista e competitivo faz com que desde cedo as crianças sejam expostas a esse ambiente adulto, tornando os jovens inseguros e instáveis emocionalmente.

Em suma, para combater a normalização do que deveria ser inaceitável descrito pela Simone de Beauvoir, é importante que o amadurecimento precoce seja questionado pela sociedade. Portanto, é necessário que o Governo direcione verbas para iniciativas privadas, de maneira que elas façam campanhas de conscientização pelas mídias sociais sobre o perigo do amadurecimento impositivo e seções de atendimento psicológico as crianças. Consequentemente, a cultura popular de negligenciar a infancia e impor a vida adulta nos jovens poderá ser revertida, assim o país terá crianças mais humanizadas.