A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 04/10/2022

De acordo com Sigmund Freud, a infância é o momento da vida que se formam os alicerces básicos do ser humano. Contudo, essa importante fase vital tem sido negligenciada pelo tecido social, o qual normaliza o adurecimento precoce dos infantes, ocasionando graves malefícios. Diante disso, torna-se imprescindível analisar criticamente a omissão governamental e a influência midiática como propulsores desse contexto hostil.

Sob esse viés, David Sanchez Rúbio, jurista da Universidade de Sevilha, expõe a “Teoria Crítica dos Direitos Humanos”, segundo a qual as ações estatais são caracterizadas por um abismo entre teoria e prática das garantias fundamentais. À luz dessa reflexão, ainda que a Constituição Federal de 1988 assegure a proteção à infância, o poder público inoperante não proporciona uma fiscalização eficiente contra o trabalho infantil. Em decorrência dessa indiligência governamental, cria-se um ambiente propício para a adulterização das crianças, afinal, ao serem precocimente inseridas no setor laboral, esses indivíduos são influenciados a reaplicar comportamentos realizados pelos colegas de trabalho, tal como o consumo de alcoól e de tabaco.

Ademais, para Jürgen Habermas, filósofo alemão, a democracia justa é fundamentada no diálogo e na troca de conhecimento entre os seres e as instituições sociais. Entretanto, os postulados do estudioso não são aplicados na sociedade brasileira, uma vez que diversas entidades, como a mídia, falham em disseminar informações sobre os malefícios de usuários infantis nas redes sociais. Prova disso é a escassez de campanhas midiáticas, direcionadas aos pais e responsáveis, que os alertem quanto ao grande índice de conteúdos éroticos presente em sites, a exemplo do Instagram e do Twitter. Desse modo, em virtude da desinformação, ocorre a persistência do amadurecimento sexual antecipado dos infantes, o qual é um dos responsáveis pela gravidez na adolescência.