A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 07/10/2022

Em meados do século XIX, o psiquiatra S. Freud desenvolveu teorias a respeito do inconsciente humano. A partir daí, foram descobertas informações que contribuem para a formação pessoal do indivíduo, categorizadas em fases. Estas, segundo o pesquisador, são ainda mais intensivas durante a infância e adolescência. Diante disso, a exposição a situações que fogem do contexto saudável de desenvolvimento da criança e adolescente, pode causar efeitos nocivos no futuro adulto. Contudo, ainda existe no Brasil um alto índice de trabalho infantil, favorecido pela dificuldade financeira enfrentada por sua família.

Em primeira análise, vale ressaltar que a inserção de crianças no mercado de trabalho retira dela a chance de viver o seu devido momento de desenvolvimento. Pois ao assumir a responsabilidade precocemente de um adulto, ela fica vulnerável a influências que lhe furtam o contexto infantil. Dessa forma, considerando a neuroplasticidade cerebral mais intensa nessa fase, o indivíduo pode absorver de forma permanente traumas relacionados a uma infância incompleta. Nessa perspectiva, o Estatuto da Criança e Adolescente combate a exploração laboral aos menores idade, por considerá-los seres potencialmente em desenvolvimento.

Salienta-se, igualmente, que considerando as condições de extrema pobreza que inúmeras famílias enfrentam, naturalizou-se o ingresso prematuro no mercado de trabalho. Dessa forma, fica evidente que a causa mais significativa dessa problemática é também de natureza política, no que diz respeito a gestão da economia e distribuição de renda. Assim, como observado na obra “Quarto de Despejo”, a autora, pessoa muito pobre, comenta sobre sua experiência sofrida ao se encontrar coagida a trabalhar em fases não compatíveis com o trabalho. Essa situação crítica não é um caso isolado, na verdade é uma realidade brasilera.

Diante do exposto, percebe-se que crianças e adolescentes merecem possuir pleno desenvolvimento em sua respectiva fase. Para tanto, cabe ao Presidente da República elaborar projetos assistenciais para famílias carentes, por meio da criação de políticas públicas focadas na baixa renda. Com o fito de reduzir a necessidade de crianças trabalharem para complementarem a renda familiar. Esse projeto deve abranger todo território nacional e ser calculado pela renda per capta.