A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 10/10/2022

Em 1889, o filósofo Raimundo Teixeira Mendes adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional brasileira, mas também para o país que enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento, como as consequências causadas pela normalização do amadurecimento precoce. Nessa perspectiva, tal panorama decorre de uma vasta influência midiática agregada a uma significativa banalização pública e familiar acerca desses comportamentos.

Diante desse cenário, é fulcral ressaltar que segundo os sociólogos Adorno e Horkheimer, em seus estudos acerca da indústria cultural, foi corroborado que as mídias possuem intensa capacidade de formar opiniões e interferir na conduta social. Sob esse viés, com a grande extensão de publicações mostradas e a falta de vigilância sobre o que se é pesquisado, muitas crianças entram em contato com postagens que não são apropriadas para suas idades. Assim, ocorre o precoce amadurecimento da malícia em relacionamentos, como também, a ausência de instrução necessária devido ao fato dos pais não notarem essa questão nos filhos.

Ademais, salienta-se a questão da banalização pública e familiar, visto que em uma pesquisa feita pelo site da CNN, foi abordado que 60% das famílias já conversam acerca de assuntos financeiros com crianças menores de 12 anos, acreditando que seja um fator positivo para o aprendizado. Contudo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pessoas na idade infantil e pré-adolescente não possuem conhecimento escolar adequado para participar dessas conversar, bem como, dependendo da situação financeira dos pais o indivíduo pode preferir se privar de atividades cruciais da sua faixa etária visando não gastar.

Portanto, é de induvitável importância que o governo federal, na condição de garantidor dos direitos individuais, juntamente com as mídias e as escolas promovam políticas públicas a fim de mitigar esse óbice. Para tanto, é mister a implementação de leis que assegurem a maior proteção nas redes sociais no que concerne a idade necessária para a visualização, por meio de novas configurações. Assim como, que sejam liberadas verbas para as escolas trabalharem esses assuntos com os alunos mediante a aulas e palestras. Logo, se almejará a plena formação do cidadão, o bem-estar geral e o cumprimento da adaptação de 1889.