A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 13/10/2022
No livro “Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein ilustra a maneira com que direitos são garantidos constitucionalmente, embora não ocorram na prática. Distante das páginas da obra, no entanto, tal cenário permanece, visto nos malefícios da normalização do amadurecimento precoce. Infere-se, assim, que a continuidade da temática acarreta inúmeros problemas, como a ameaça à dignidade humana e o aumento de transtornos psicológicos na juventude.
A priori, vale ressaltar a gravidade do assunto. A Constituição Federal de 1988, assegura o direito à infância. Porém, a banalização acerca do tema por parte da sociedade vai de encontro ao que diz a Carta Magna, o que colabora com a expropriação dessa prerrogativa, expondo, desse modo, os jovens a um estado de vulnerabilidade social elevado. Conclui-se, sob essa ótica, que a persistência da problemática corrobora a violação constitucional, prejudicando a vida digna.
Além disso, o alto índice de trabalho infantil espalhado pelo globo terrestre é outro contribuinte para o desenvolvimento antecipado. No contexto da Revolução Industrial, por exemplo, a presença de crianças nas fábricas era comum, fator determinante para as greves a favor da reforma trabalhista. Contudo, apesar da mobilização realizada pelo proletariado, a exploração não foi erradicada. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 4,6% da população brasileira se encontra nessa condição, sendo que essa prática é a maior responsável pela ocorrência de distúrbios como a depressão e ansiedade. Outrossim, a inserção adiantada no mercado de trabalho favorece a replicação de comportamentos nocivos.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Com o intuito de atenuar os efeitos negativos do amadurecimento precoce sobre a sociedade, é dever do Instituto da Criança e do Adolescente, por meio da implementação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento desses grupos, garantir o exposto nas páginas da Constituição Cidadã. Ademais, cabe ao Ministério Público, junto com a mídia, denunciar instituições que descumpram as leis quanto ao trabalho infantil. Só assim a humanidade deixará de ser um exército de cidadãos de papel.