A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 12/10/2022
No filme “O Poderoso Chefinho” conta-se a história de um bebê que desde o primeiro ano de vida assume o trabalho de chefe, usando um terno e uma maleta de arquivos. Fora da ficção, é possível observar que a normalização do amadurecimento precoce tem se tornado comum, em vista que muitas crianças ainda na infância são sobrecarregadas com atividades cotidianas que não sobra tempo para o lazer. Esse cenário antagônico é fruto da pressão disseminada pelos pais e do excesso de informação imposta pelas mídias sociais.
Em primeira análise, é importante ressaltar que a Declaração Universal dos Direitos da Criança reconhece que brincar é um direito fundamental para o desenvolvimento infantil. Sob esse viés, com tantas atividades extracurriculares e uma rotina de responsabilidades antecipadas, as crianças acabam não tendo tempo para brincar, devido a pressão dos pais para que os filhos alcancem a perfeição nas atividades. Dessa maneira, os responsáveis acabam desconsiderando marcos importantes para o crescimento da criança, trazendo malefícios como o medo de fracassar e autocobrança.
Ademais, é preciso apontar a alta carga de informações que os jovens recebem através da internet. Este excesso de informação ajuda a provocar uma adultização precoce, como as brincadeiras sobre os “namoradinhos” e roupas mais sensuais para a criança, isso possibilita uma normalização do adiantamento de fases em que a criança não tem um aprendizado adequado para lidar com certas experiências de vida. Em consonância, de acordo com o G1, as meninas estão menstruando até 4 anos mais cedo devido aos estímulos comportamentais que a erotização precoce é proporcionada pelos meios de comunicação.
Logo, cabe ao Ministério Público, cujo dever, de acordo com o artigo 127 da “Constituição Cidadã”, é garantir a defesa dos interesses sociais, cobre do Estado ações concretas a fim de combater a normalização do amadurecimento precoce, garantindo experiências de vida de acordo com a idade. Entre essas ações, deve-se incluir parcerias com as plataformas midiáticas, nas quais fiscalização de conteúdos para menores de idade, mediante a avisos sobre as temáticas implícitas que possam influenciar no desenvolvimento cognitivo da criança.