A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 02/11/2022

Na obra “Senhor das moscas”, do escritor inglês William Golding, retrata uma queda de avião que apenas garotos alcançam uma ilha deserta, mas aos poucos esses garotos aparentemente inocentes transformam a ilha numa disputa pelo poder, e sua selvageria rasga a fina superfície da civilidade, ironicamente, o livro reflete a realidade da normalização do amadurecimento precoce. Esse cenário é fruto da indiligência do Estado em garantir a educação e da falta de conscientização popular sobre a necessidade desse direito.

Sob essa ótica, é notável que a negligência estatal é fator preponderante para continuidade da problemática. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das instituições “zumbis”, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprir sua função social. Logo, o Ministério da Cidadania não cumpre a função de garantir a educação e a formação pessoal do cidadãos, dessa forma a população sem instrução tende a trazer responsabilidades para si cada vez mais cedo e problemas como acidentes.

Outrossim, é imperativo ressaltar a falta de conscientização popular como impulsionador do embate. Desse modo,o pensador Nelson Mandela, discorre que a educação é a arma mais poderosa pra mudar o mundo. Nesse viés, a sociedade deveria ter a clareza que apenas a educação pode evitar os efeitos adversos do amadurecimento prematuro e as consequências de ter uma sociedade cada vez mais inexperiente. No entanto, o corpo social não se mobiliza para combater essa realidade, agravando cada vez mais esse quadro deletério.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para conter os efeitos adversos do amadurecimento precoce. Dessarte, o Ministério da Cidadania deve promover modificações na BNCC, que visem priorizar a educação prática e a formação para atividades cotidianas, com a ampliação de profissionais de educação e maior acompanhamento fora do ambiente escolar, mas também deve criar campanhas nas mídias sociais que combatam a desinformação e visem esclarecer a população a necessidade da educação e ofereçam esse conhecimento de forma constante e gratuita. Somente assim a coletividade evitará que o país se torne a ilha de Golding.