A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 15/10/2022

O filme norte-americano “Matilda” retrata a história de uma jovem que amadureceu de forma antecipada, realizando, desde os seus primeiros anos de vida, atividades que responsabilidade cabia ao seu pai e a sua mãe, que, por sua vez, eram ausentes e negligenciavam as necessidades básicas da pobre garota. Analogamente, infere-se que no Brasil há a ocorrência dessa exata questão, que tende a ser normalizada, seja pela miséria social ou pela má influência do setor comercial. Dito isso, é mister analisar-se as consequências dessa problemática e os possíveis jeitos de aliviá-la.

Nesse sentindo, fato é que a sociedadetem sido obrigada a tornar-se adulta devido às condições financeiras desfavoráveis. De acordo com um relatório da UNICEF, 60% da população brasileira composta por indivíduos de até 17 anos vive na pobreza, sendo que, desse percentual, quase 800 mil jovens estão em situação de extremo trabalho infantil. Isso porque diversos chefes de família, ainda que conheçam as proibições acerca dessa prática, permitem que seus filhos menores de idade trabalhem por receio que lhes falte acesso à recursos necessários à sobrevivência, já que só o seu emprego não gera renda suficiente. Sendo assim, enquanto os cidadão pobres não forem ajudados, o problema continuará desencadeando a fuga de alunos das escolas para o ambiente laboral.

Além disso, as práticas capitalistas perpetuadas pelas mídias sociais corroboram excessivamente para que crianças amadureçam precocemente. Segundo o filósofo alemão Karl Marx, a desvalorização das pessoas e diretamente proporcional à valorização das coisas. Consoante ao pensador, embora existam leis que garantam a integridade dos adolescentes, estas são contrariadas pelo meio digital, que em parceria com os pais de meninos e meninas, induzem nestes certos comportamentos e vestuário de “gente grande”, em pról da divulgação de marcas de empresas, focada no consumo em massa. Essa parcela do povo é, portanto, usada como um mecanismo de vendas e, por isso, não se ocupam com tarefas recreativas e educacionais tanto como deveriam.