A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 19/10/2022

O conceito de entropia na física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, no que concerne a normalização do amadurecimento precoce percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Com isso a questão do amadurecimento precoce permanece intrínseco a realidade brasileira, seja pela falta de debates, seja pela insuficiência de leis.

Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho a consolidação da pobreza de debates. O Filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna existe o silenciamento de alguns temas para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere a discussão da normalização do amadurecimento precoce, que tem sido silenciado. Assim, sem diálogo sério e massivo seus malefícios, como por exemplo: o contato prematuro com práticas eróticas e a disceminação da cultura do trabalho infantil, permanecem com sua resolução impedida.

Adicionalmente, conforme a Antropóloga Lilia Schwarcz, existe a prática de uma política de eufemismos no Brasil, ou seja determinados problemas são suavizados e não recebem a visibilidade necessária. Isso justifica a insuficiência de leis se apresenta como outro fator que tem influência no amadurecimento precoce e dificulta a erradicação do problema.

Acrescenta-se então, a necessidade do desenvolvimento de medidas que ajam sobre o problema, visando a proteção das crianças em relação a maturidade precoce. É preciso que o Poder legislativo, juntamente com o Ministério da educação trabalhem na criação de leis que previnam a perda da ingenuidade infantil mediante ao abuso de responsabilidades, como o excesso de atividades extracurriculares ou o trabalho infantil. Visando a juventude mais livre para poder brincar e descansar durante o dia e estimular o crescimento saudável, sem adiantamento de nenhuma “dor de cabeça” desnecessária.