A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 25/10/2022
A obra literária “Meu Pé de Laranja Lima” relata o amadurecimento precoce de Zezé, um garoto carioca, pela difícil condição socioeconômica que sua família se encontra. Fora da ficção, no Brasil, milhões de jovens passam pela mesma situação do protagonista, devido à inoperância estatal na promoção da igualdade e à nor-malização desse panorama pela população brasileira. É cabível, portanto, analisar tais aspectos e elaborar uma medida que solucione a mazela no país.
Inicialmente, é importante apontar a postura do governo frente a desigualdade socioeconômica. Para tanto, Gilberto Dimenstein dissertava, em “O Cidadão de Papel”, acerca do aparato legislativo brasileiro que, embora aparente ser completo, mantém-se restrito ao plano teórico. Prova disso são as escassas políticas públicas que visem a igualdade dos cidadãos, prevista no artigo 5° da Constituição Federal brasileira. Por conseguinte, crianças e adolescentes são forçados a trabalhar desde cedo para contibuir com o sustento de suas famílias, o que os impede de brincar, frequentar a escola, ou realizar outras atividades voltadas a sua faixa etária, impor-tantes para seu desenvolvimento socioemocional e neurológico.
Ademais, a normalização dessa problemática contribui para sua persistência na realidade brasileira. Para reforçar a ideia, Hanna Arendt, importante filósofa alemã, abordava, em suas obras, o conceito de “Banalidade do Mal”, que se refere a inér-cia perante a situações maléficas, devido a sua banalização no meio social. Nesse contexto, a tese da autora se confirma, na medida em que o amadurecimento pre-coce - manifestado, aqui, pelo trabalho infantil - é normalizado e romantizado pela sociedade, sob o eufemismo de “exemplo de superação”. Assim, é evidente que medidas devem ser tomadas para solucionar esse triste cenário.
Infere-se, sob essa ótica, que o governo federal deve adotar iniciativas para solucinar o problema em questão. Para tanto, ele deve agir por meio do Ministério da Cidadania e implantar um auxílio proporcional ao número de filhos para famílias mais necessitadas, além de promover eventos com atividades recreativas para crianças e adolescentes, com jogos e apresentações para toda a comunidade. Isso, com a finalidade de não apenas gerar mais igualdade, como também permitir que jovens, como Zezé, possam aproveitar sua infância com dignidade.