A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 26/10/2022

No Antigo Regime, era comum o casamento de crianças para perpetuar alianças políticas, visto que a longevidade da época era muito mais baixa que a atual. No entanto, apesar do aumento da expectativa de vida e do aumento da infância, há recorrentemente a volta problemática da normatização do amadurecimento precoce dos jovens no país. Diante do exposto, tal fenômeno é consequência da indústria cinematográfica e também aumenta a erotização infantil.

Diante desse cenário, um grande causador do envelhecimento mental ser normalizado é o efeito das mídias e do cinema na sociedade. De acordo com o frankifurtiano Adorno, a indústria cultural tende a produzir aquilo que agrada as massas para conseguir obter lucro. Desse modo, os jovens que são o público-alvo estão interessados em entender como a vida adulta funciona. Por isso, os programas televisivos, voltados a categoria infanto-juvenil, inserem atores maduros que interpretam jovens. Dessa forma, os personagens podem agir como seres indepententes e desregrados com pouquíssima intervenção paterna. Assim, os espectadores são influenciados a viverem esse amadurecimento precoce que prejudica brutalmente a infância.

Além disso, outro fator maléfico para a sociedade devido ao amadurecimento precoce é a erotização infantil. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, toda criança e adolescente possui o direito à dignidade e ao respeito. Contudo, ao normatizar o prematuro crescimento da infância, as crianças utilizam roupas e maquiagens que os fazem realmente parecer com que tenham a aparência de pessoas mais velhas. Isso, consequentemente, coloca em evidência o nocivo aumento da erotização infantil, pois aumenta os ilegais e injustificáveis pretextos para os assédios e a pedofilia.

Evidencia-se, portanto, que a Secretária da Cultura - orgão responsável pelo desenvolvimento da arte, cultura e propaganda no país - deve promover a divulgação da faixa etária adequada das histórias. Isso, pode ser feito por meio de um projeto de lei que torne obrigatório colocar a idade necessária para usufruir de cada bem cultural em sua venda. Nesse sentido, será possível frear as influências do amadurecimento prematuro e o aumento da voluptuosidade da infância.