A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 27/10/2022
No século XIX, a adolescência não era reconhecida pela sociedade como uma etapa do ciclo da vida, entendia-se que o indivíduo passava diretamente da infância para a fase adulta. Nesse sentido, na contemporaneidade, a normalização do amadurecimento precoce ainda se faz presente e traz inúmeros malefícios à vida de crianças e jovens. Assim, esse impasse é provocado não só pela falta de importância do desenvolvimento infantil, como também pelo uso excessivo das novas tecnologias.
Sob essa perspectiva, é imperioso salientar a ausência de valor do amadurecimento da criança como um fator determinante para a intensificação do problema. Sendo assim, de acordo com o Artigo 31 previsto na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças, descobrir o mundo brincando é muito importante nessa fase da vida, visto que através da brincadeira a criança aprende a se comunicar, desenvolver a imaginação e diversos tipos de atividades psicomotoras. Dessa forma, estimular o desenvolvimento precoce com atividades que impeçam esses valores viola diretamente a vida de jovens e crianças.
Outrossim, é imprescindível destacar o uso excessivo das tecnologias como outro agente fortalecedor da problemática. Sob esse viés, segundo o professor Valdemar Setzer, os meios digitais, principalmente a internet, por conta da liberdade total e não monitorada do acesso ao que é inconveniente para a menor idade, como a pornografia e a violência, prejudicam o progresso saudável da pessoa, já que apressam indevidamente o desenvolvimento intelectual e psicológico. À vista disso, fica claro a necessidade de conter os malefícios da normalização do amadurecimento precoce.
Portanto, o governo federal deve, por intermédio do Ministério da Educação, desenvolver campanhas nos principais meios de comunicação para conscientizar pais e responsáveis sobre a importância do crescimento gradual através das brincadeiras saudáveis e do monitoramento do uso da internet, a fim de garantir que os direitos da criança e do adolescente sejam efetivados. Feito isso, será consolidada uma sociedade diferente do século XIX, com indivíduos assegurados pelo Estado, assim como o Brasil andará rumo à ordem e ao progresso.