A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 05/11/2022
Em sua obra “Cidade de Deus”, o escritor Paulo Lins aborda o cotidiano de jovens em uma comunidade do Rio de Janeiro que, buscando melhores condições de vida, ingressam cedo no mercado de trabalho. Todavia, na contemporaneidade, verifica-se um paralelismo com esse cenário, observado em crianças e adolescentes menos favorecidos, e que acarreta em um amadurecimento precoce, normalizado pela sociedade brasileira. Essa situação ocorre em decorrência da omissão social e ineficácia estatal.
Com efeito, é importante destacar que o Brasil apresenta uma desigualdade social severa, oriunda dos períodos coloniais. No livro “Eichmann em Jerusalém”, a filósofa Hannah Arendt discorre acerca do conceito de “banalidade do mal”, que consiste na massificação social, de modo a formar indivíduos ausentes de julgamentos morais, ignorantes perante os problemas de minorias. Sob essa ótica, a sociedade age de maneira omissa para debates acerca do ingresso precoce no mercado de trabalho, que afeta jovens de camadas mais pobres, lhes privando de suas infâncias. Dessa forma, se verifica o papel do coletivo como um dos antagonistas desse cenário.
Ademais, é fulcral salientar a omissão estatal perante esse impasse. Parafraseando o teórico político Thomas Hobbes em “Leviatã”: “é papel do Estado agir visando o progresso do corpo social”. Destarte, a ausência de medidas eficientes para promover direitos a ações transversais, como a educação, a saúde e o trabalho, conforme previstos na Carta Magna, resultam na inserção juvenil empregatícia, que busca a sobrevivência. Portanto, se destaca o desamparo governamental.
Diante dos argumentos supracitados, torna-se necessária a tomada de medidas. Primeiramente, o Estado deve agir por meio dos poderes Executivo e Legislativo, fiscalizando e aplicando multas a empregadores que contratem juvenis. Além disso, as verbas obtidas devem ser destinadas ao Ministério da Educação, que há de elaborar campanhas publicitárias nos meios televisivos junto com a mídia, objetivando a conscientização populacional sobre esse impasse. Assim, será possível a construção de uma sociedade destoante da abordada por Paulo Lins.