A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 09/11/2022

“O homem se torna aquilo que a educação faz dele.” Segundo o filósofo Immanuel Kant, a educação é responsável por moldar o homem, tornando-o quem é. Outrossim, para Kant, valores como a moralidade são responsáveis por construir uma sociedade mais respeitosa com a coletividade. No entanto, no Brasil ocorre uma desvirtuamento da população ocasionado pela ausência desse processo de transformação. Esse cenário nefasto, que acarreta na normalização do amadurecimento precoce de crianças, é fruto não apenas de uma inercia estatal, mas de uma dinâmica social que estimula a exposição de vulneráveis.

Precipuamente, é fulcral pontuar, como fundamental na manutenção dessa problemática, a inabilidade do governo ao tentar mitigar os efeitos das imposições sociais que visam normalizar o amadurecimento precoce. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população. Nessa linha de raciocínio, é natural que, perante a falta de políticas públicas mais firmes, a população não consiga se adaptar a essa nova conjuntura social e, consequentemente, evitar que as crianças sejam afligidas por essas pressões.

Ademais, é imperativo inferir a nova realidade coletiva como importante na construção dessa problemática. O sociólogo Zygmunt Bauman colocou a ausência de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas como características da modernidade líquida vivida no século XXI. Desse modo, a falta de relacionamentos familiares mais concretos corrobora para a construção de uma sociedade mais individual e menos preocupada com o desenvolvimento e com a exposição de suas crianças, o que acarreta nesse amadurecimento prematuro e deletério.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação criar um programa social que incentive o amadurecimento saudável, por meio do aumento no número de psicólogos nas escolas, a fim de acompanhar de maneira mais individualizada o amadurecimento das crianças e adolescentes, de modo a fortalecer o arcabouço estatal protetor desses vulneráveis. Além disso, é mister que as famílias construam mecanismos que protejam seus entes de imposições. Assim, pode-se criar uma sociedade efetivamente transformada pela educação, como imaginou Kant.