A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 10/11/2022
A música “Marvim” da banda Titãs narra a história de um jovem do campo que, desde muito cedo, por uma fatalidade, precisa assumir as responsabilidades de seu pai na família. Fora da ficção, essa realidade de amadurecimento precoce é, infelizmente, observada em diversos lares do Brasil. Nesse sentido, a normalização dessa problemática pode refletir em um um real prejuízo ao funcionamento de uma sociedade justa para os jovens, principalmente, por priva-los de uma infância saudável e por relativisar a irresponsabilidade do Estado.
Em primeira análise, a privação de uma infância saudável e comum pode se desdobrar em posteriores problemas de saúde mental para a juventude. Como prova disso, a revista “Veja saúde” destacou a importância tanto da primeira infân-cia quanto da juventude entre os 10 e 18 anos para a criação de um adulto confiante e saudável. Sendo assim, o amadurecimento gradual e completo no tempo correto garante uma maior segurança emocional ao jovem. Dessa maneira, uma criança sem o convívio considerado normal se tornará um adulto que tende ao desenvolvimento de disturbios mentais como depressão e ansiedade.
Outrossim, ao normalizar esse processo, estamos desresponsabilizando o verdadeiro causador desse problma. Um recente dado exposto pelo IBGE aponta que, aproximadamente, 2 milhões de jovens entre 11 e 18 anos não frequêntam a escola. Desse modo, entende-se esse problema como algo estrutural que está pre-sente em cada cidade do país. Assim, com sua negligência e descaso, o Estado, se revela o verdadeiro culpado desse tema que aflige tantas famílias. No entanto, enquanto for normal, aos olhos da sociedade, uma criança trabalhar, essa angústia não terminará.
Vê-se, pois, que urge a necessidade da tomada de medidas acertivas que busquem mitigar essa problemática agindo em sua fonte. Para tal, com o objetivo de manter os jovens mais tempo estudando e se desenvolvendo, os governos estaduais e federais devem buscar o enriquecimento do ambiente escolar por meio de parcerias público-privadas. Além disso, para que existam menos “Marvins” brasileiros, o Estado precisa ser mais presente no campo, principalmente, nas famílias simples, auxiliando com uma boa política de renda mínima.