A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 09/10/2023
O filme “Kids” retrata o cotidiano de crianças e de adolescentes lidando com problemas que envolvem o vício em álcool, drogas e sexo, de um modo “ácido”, representando o impacto negativo que o amadurecimento precoce relega aos menores, degradando lentamente as suas vidas. Nesse contexto, os malefícios gerados pela normalização da problemática perpassam pela percepção distorcida das responsabilidades em consonância com uma indiferença danosa de quem está alheio à situação.
A princípio, normalizar o comportamento nocivo gerado pelo amadurecimento precoce maximiza a percepção distorcida de responsabilidades, visto que torna implícita a cobrança por um discernimento dos menores perante as escolhas da vida, como a necessidade de conseguir um emprego pra ajudar a família ou o contato com hábitos ilícitos. Dessa forma, tornar exigível um comportamento adulto de escolhas fere duplamente a dignidade dos indivíduos, pois a dessasistência da família também já é inerente ao contexto maléfico do amadurecimento precoce. É nítido salientar que o Estatuto da Criança e do Adolescente, vigente no panorama brasileiro, expõe a necessidade do menor ter o seu desenvolvimento comportamental atrelado à sua idade, pois é um formador de experiências constitutivas para nortear um cidadão ponderado futuramente.
Ademais, a indiferença como artifício normalizador do amadurecimento precoce é maléfico por não se compadecer perante a uma situação de inversão de princípios comportamentais. Desse modo, por exemplo, ao ver vídeos de crianças ou de adolescentes sexualizadas em mídias sociais e simplesmente ignorar é um hábito nocivo, pois retroalimenta a perpetuação da normalização de hábitos maduros que demandam um discernimento inexistente nos menores.
Entende-se, portanto, que o Estado deve atuar veiculando campanhas de conscientização na internet, contendo relatos de pessoas que sofreram com os malefícios do amadurecimento precoce e de como essa situação impactou suas vidas, de modo a induzir a sociedade a aderir o combate à causa a longo prazo, além de promover denúncias às situações adultizadas. Sendo essa medida realizada, situações como as retratadas no filme “Kids” serão apenas ficção.