A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 22/04/2024
O Estatuto da Criança e do Adolescente tem como dever majoritário fazer presente na vida do menor princípios como a liberdade, respeito, saúde, educação, lazer e proteção. Contudo, na realidade brasileira, tal expectativa não se faz frequente, visto que grande parte de indivíduos em processo de desenvolvimento físico e mental necessitam, precocemente, sair de casa em busca de melhores condições de vida e até mesmo buscando a própria sobrevivência. Logo, medidas devem ser tomadas para que essa parcela do corpo social não seja silenciada e nem ao menos negligenciada pelo Estado.
Em primeira análise, deve-se destacar o descaso governamental em relação aos obstáculos enfrentados por esses jovens. Esses passam por processos de formação, isto é, não atingiram, ainda, um amadurecimento pleno. O cérebro, que se encontra em constante processo de desenvolvimento, deixa essa parcela mais suscetível aos diversos perigos encontrados nas ruas, local no qual muitos encontram uma forma de superar os desafios diários. No entanto, não deveriam estar inseridos nessas situações tão cedo. Por isso, a necessidade do Governo fiscalizar com maior rigidez o que acontece nos centros urbanos, juntamente, com medidas de auxílio aos mais novos.
Além disso, o jovem por estar inserido nesse cenário profissional tão cedo, tem seu amadurecimento forçado e, muitas vezes, incompleto. Há grande falta de maturidade desses em lidar com as atividades profissionais. De acordo com a psicóloga Patricia Rosignoli, “há crianças feridas escondidas em adultos “difíceis”, isto é, todo esse trauma de um desenvolvimento forçado reverbera-se na fase adulta, gerando um cidadão muitas vezes inseguro com preparo emocional muito frágil.
Verifica-se, portanto, a necessidade da tomada de medidas que mudem o quadro. É cabível ao Ministério da Educação - órgão responsável por garantir o ensino de qualidade no país - promover campanhas de conscientização sobre as problemáticas no que tangue o amadurecimento precoce, juntamente, com maneiras de evitar que essa prática tenha continuidade, com o fim de diminuir, drasticamente, esse acontecimento no corpo social brasileiro.