A nova corrida espacial e seus impactos sociais

Enviada em 18/04/2023

No primeiro filme de “Star Wars”, um golpe com o objetivo de colonizar o planeta de Naboo leva sua rainha a pedir ajuda do conselho espacial. Fora da ficção, observa-se o surgimento de uma nova corrida espacial. No entanto, diferente do contexto do filme, não temos um “conselho espacial” para solucionar eventuais problemas. Dessa forma, qualquer conflito originado da exploração espacial pode trazer consequências, impactando, principalmente, a economia mundial e as relações geopolíticas mundiais.

A priori, a atual diferença de potencial tecnológico entre países de primeiro e ter-ceiro mundo pode gerar um agravamento da desigualdade econômica entre eles. A Nasa estima que alguns asteróides podem valer US$700 quintilhões. Sendo assim, as nações que tiverem acesso a esses recursos terão um aumento considerável no valor de suas moedas e nas suas reservas nacionais. Em contrapartida, os países subdesenvolvidos, que frequentemente não dispõe de tecnologia espacial, nem mesmo participarão da corrida, sendo, portanto, condicionadas a tornarem-se ainda mais economicamente inferiores aos países desenvolvidos.

Ademais, a legislação pouco específica da “Constituição espacial” abre espaço para conflitos geopolíticos sobre a delimitação de áreas de exploração de recursos. O Tratado do Espaço Sideral, de 1967, fala que o espaço não tem dono, podendo, assim, ser explorado por todas as nações. Por outro lado, na eventual situação de duas nações desejarem explorar o mesmo corpo celeste, não há prerrogativa sobre a delimitação de quem possui o direito sobre os recursos de determinada área. Consequentemente, a lei não previne conflitos espaciais e nem seus possíveis des-dobramentos, a citar, o inicio de uma nova guerra mundial, motivada pelo monopólio de regiões ou recursos espaciais.

Portanto, é necessário que a Organização das Nações Unidas promova uma revisão do Tratado do Espaço Sideral, por meio de reuniões com lideres internacionais, com a finalidade de incluir prevenções de conflitos referêntes à exploração de recursos espaciais. Essas reuniões devem envolver países subdesenvolvidos e tratar também de caminhos para a sua inclusão nas explo-rações. Só assim teremos progresso e não guerra nas estrelas.