A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/09/2019

Por volta dos anos 2000, um jovem árabe, cansado da opressão imposta pelas autoridades locais, ateou fogo em seu próprio corpo como forma de protestar contra o regime autoritário vigente. Esse fato ficou conhecido como “Primavera Árabe” e demonstrou que, apesar da maioria dos jovens contemporâneos mostrarem-se desiludidos com a política atual, eles ainda se engajam em busca de uma sociedade melhor e se reinventam para alcançar seus objetivos juntos ao sistema político da atualidade.

Em primeiro lugar, vale destacar que, segundo o chanceler alemão Bismarck, a política é a arte do possível. Nesse sentido, politizar-se significa se envolver em assuntos que podem afetar tanto a esfera individual como a coletiva de um país, possibilitando que uma determinada demanda torne-se uma realidade. No Brasil, por exemplo, os jovens têm participado dessa esfera de maneira totalmente diferente dos seus antepassados. Ademais, eles mobilizam-se pelas redes sociais e cobram dos governantes a resolução de questões mais específicas, como a manutenção da qualidade das universidades ou até mesmo descontos no valor do passe escolar, ou seja, lutam por aquilo que é direito intrínseco deles como cidadãos.

Outrossim, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas. Dessa maneira, o maior desafio da juventude na participação política atual é canalizar suas demandas sociais  e de se organizarem como grupos reivindicadores para pressionarem os governantes, assim como fizeram os estudantes em 2016 no Brasil, ao ocuparem escolas como protesto a uma reforma legislativa que não atendiam as expectativas estudantis daquele momento. Nessa lógica, mesmo que os jovens não percebam, é nítido que eles possuem bastante potencial para ganhar visibilidade perante os deputados, por exemplo, além de fazerem valer a vontade popular.

Logo, é mister que a escola como ferramenta socializadora incentive o protagonismo juvenil na política. A instituição deve privilegiar as aulas de sociologia por meio da abordagem de conteúdos que ensinem os alunos sobre os movimentos sociais já ocorridos no país e de sua importância para a transformação da sociedade. E isso, a fim de demonstrar-lhes que é possível revolucionar uma história encorajando-os por meio dos fatos vitoriosos ocorridos no passado.