A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/09/2019

Em junho de 1968, na cidade do Rio de Janeiro, aconteceu uma manifestação popular organizada pelo movimento estudantil contra a ditadura militar brasileira. Esse movimento conhecido como “Passeata do cem mil”, que, apesar de não ter suas reivindicações aceitas, tornou-se um marco na história política do Brasil. Nesse contexto, percebe-se que a participação política dessa classe tem sido crescente e, em boa parte, desvinculada de interesses partidários.  No entanto, ainda que os jovens estejam mais engajados no cenário político, estes ainda são poucos, em decorrência da atual situação política brasileira e da falta de incentivo no âmbito escolar e familiar, sendo necessário medidas para alterar essa problemática.

Em primeira análise, vale destacar o descontentamento com relação à participação política pelo voto, no Brasil especialmente, uma vez que o momento de crise em diversas esferas sociais junto a inúmeros atos corruptos de políticos aumentam a descrença e a desmotivação da juventude. Desse modo, o homem como animal político, de Aristóteles, parece não ter o mesmo efeito no século XXI, visto que o número de jovens entre 16 e 17 anos, idade na qual o voto é facultativo, diminuiu entre os anos de 2012 e 2016, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nesse sentido, é possível observar que o interesse dessa faixa etária vem diminuindo com o passar do tempo já que adiam o início de sua participação política para quando lhes é obrigatório.

Somado a isso, é preciso levar em consideração que ser uma pessoa ativa politicamente não se restringe apenas a votar, é preciso fazer valer a sua voz dentro do Estado Democrático de Direito. Dessa maneira, muitas vezes, aquele que não vota, mas, busca por seus direitos e dos outros por meio de manifestações, por exemplo, participa mais que um cidadão que vai às urnas quando é obrigatório, sem, contudo, acompanhar os reflexos do ato. Essa questão, porém, é cultural fomentada dentro de casa com famílias que preferem negligenciar o assunto a levantar discussões críticas sobre o tema, e no âmbito escolar  que valoriza o conteúdo mas pouco prepara o aluno para a vida em sociedade.

Torna-se evidente, portanto, que apesar de aparentemente desinteressados quanto à política, os jovens no Brasil contemporâneo utilizam das ferramentas que têm disponível para mostrar a fora de sua voz. Entretanto, ainda há muito a ser feito para que esse engajamento da juventude seja aproveitado em prol da sociedade. Para tanto, é necessário que o Ministério da Educação crie programas e adicione aulas de conscientização política nas escolas que ensinem como funciona  e a importância da participação, enquanto cidadão, na vida política do país, por meio de discussões, palestras e até eleições internas, a fim de fomentar o pensamento crítico. Cabe ainda, ao Ministério da Justiça julgar de forma mais efetiva os crimes de corrupção e aplicar punições mais severas no intuito de minimizar esse comportamento.