A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 06/09/2019
O movimento estudantil brasileiro, foi um dos grandes propulsores para a mobilização de uma geração inconformada com à conjuntura política da década de 80, e garantiu através de manifestações nas ruas e pressões contra a Assembleia Constituinte de 1987 - 1988, o direito da participação politica através do voto. É evidente, que a participação política do jovem no atual cenário político-brasileiro é vital para o avanço da sociedade, no entanto a abstenção de exercer tal direito como também à atuação somente nas urnas eleitorais coloca a sociedade diante de um problema social que precisa ser enfrentado.
Em primeiro lugar, o desgaste no cenário político, a falta de compatibilidade ideológica e o déficit na comunicação entre os jovens eleitores e os candidatos, contribuem para distanciar a juventude da participação ativa na política brasileira. De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), apenas um em cada cinco adolescentes, de 16 e 18 anos, tiraram o titulo de eleitor no ano de 2018, demonstrando assim, um grande desinteresse político. Tal cenário rompe com o direito conquistado pela sociedade, através da Constituição de 1988, que possibilitou o voto facultativo entre eleitores nessa faixa etária.
Em segundo lugar, o voto é um passo importante para a construção de uma sociedade engajada, no entanto existem outras maneiras de participação ativa nas políticas públicas que não prendem os eleitores a períodos de dois anos para se manifestarem politicamente. De acordo com o escritor Norberto Bobbio, no livro “Dicionario da Política”, existem três níveis de participação política, são eles: presença, ativação e decisão. Tratam-se, respectivamente, da participação passiva em reuniões e debates; da atuação voluntária em organizações políticas, podendo abranger campanhas eleitorais, militância partidária e manifestações públicas; e da contribuição direta ou indireta para a decisão política, elegendo um representante político ou candidatando-se a um cargo governamental.
Diante do exposto, portanto, o questionamento que fica é como intervir de maneira mais eficiente para a mudança desses fatos. Nesse viés, uma possível transformação do quadro atual poderia ser alcançada por parte do MEC (Ministério da Educação), instituindo nas escolas, palestras ministradas por Sociólogos e Cientistas Políticos, que discutam a importância da juventude na política do Brasil e incentivem as diretoriais escolares a criarem eleições, entre alunos, elegendo representantes de cada turma, assim, cria-se uma maior participação nas decisões internas da escola e um senso político entre os jovens. Por fim, o MEC deve, ainda, através de divulgações nos veículos de mídia e nas redes sociais, expor a população as mais variadas formas de manifestação e participação política pois segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade.