A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 24/08/2019

O desenvolvimento da razão e da filosofia - na Grécia Antiga - foi fruto de debates entre os cidadãos , majoritariamente jovens, nas praças públicas da pólis. A partir disso, torna-se evidente a importância do engajamento do setor juvenil nas questões políticas em território nacional. Entretanto, muitos empecilhos estão presentes para impedir o avanço dos jovens nessa esfera e ,por isso, cabe discutir de que forma o modelo escolar vigente e a tecnologia perduram a ausência da participação dessa parcela nos assuntos políticos.

A priori, vale ressaltar que o modelo pedagógico em vigor corrobora a falta de participação juvenil no campo político. Esse modelo apresenta-se defasado - época da industrialização - e tinha apenas como objetivo qualificar a mão de obra para as fábricas. Ademais, o fito educacional não demonstrou mudanças, haja vista que muitas instituições preocupam-se em preparar alunos para a efetuação de concursos por meio da padronização da grade curricular. Por consequência, o senso crítico e a participações juvenil - nas esferas sociais e políticas - não são incentivadas pela instituição que teoricamente apresenta esse papel.

Outrossim, a tecnologia permite a falsa sensação de engajamento nos debates políticos. A Revolução Francesa , que representou um grande avanço social e político em escala global, só foi possível pela participação ativa dos cidadãos nas ruas e campos. Porém, no Brasil, muitos jovens participam - de forma ineficaz - de discussões abertas nas redes sociais, mas se ausentam de greves, marchas e movimentos em prol dos direitos. Por conseguinte, a comodidade proporcionada por aparelhos eletrônicos move a ilusória sensação de luta por mudanças, e , assim, a problemática persiste.

Urge, portanto, a necessidade de assegurar a cooperação juvenil no setor político. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, promover uma alteração na grade curricular - no ensino fundamental e médio - com a implementação da matéria ética e cidadania a fim de promover desde a base social o pensamento crítico acerca das questões políticas nacionais e , desse modo, ampliar o percentual de participação populacional. Além disso, cabe ao setor midiático, em consonância com profissionais da educação , elaborar campanhas de engajamento dos jovens - na televisão e redes sociais - através de publicações, vídeos e charges que remetam a acontecimentos históricos que só foram possíveis por meio da participação ativa popular. Dessa maneira, a luta de séculos pelo voto universal não será negligenciada pelo tecido nacional brasileiro.