A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 24/08/2019

No livro “Os donos do poder”, o sociólogo Raymundo Faoro descreve, com base nas teorias de Max Weber, como a formação do estado patrimonialista - herança da colonização portuguesa- contribuiu de forma negativa na origem de impasses sociais.De maneira análoga,hoje Faoro perceberia acertada sua tese, em razão da participação política dos jovens no Brasil contemporâneo, um desafio que reflete negativamente no âmbito social, tanto pela falta de interesse dos jovens, quanto pela ausência de projetos educativos que estimulem este interesse. Portanto, cabe avaliarmos os reflexos que comportam esse quadro.

No cenário atual que comportam a evolução tecnológica, a sociedade se encontra anexada a uma posição de constantes transformações, inclusive, empempenhada em adaptar-se a elas. Porém, o mesmo nao se vê quando se trata da participação política dos jovens que atrelado à falta de interesse dos mesmos, encontra espaço para inserir-se no corpo social.De acordo com a agenda juventude Brasil, 46% dos jovens entrevistados entre 15 e 19 anos banalizam a importância da política, um cenário que poderia estar longe do panorama brasileiro se a população juvenil fosse influenciada e estimulada sobre a relevancia do assunto entre eles e seu posterior impacto positivo.

Faz-se mister, ainda, salientar a ausência de investimentos em projetos educativos que assegurem a educação política como outro fator agravante. Consoante o escritor Darcy Ribeiro, o Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualde e descaso.Sob a óptica desse pensamento, é notório que a perpetuação do problema é intensificada por essa “enfermidade” que configura-se no descaso, visto que o mesmo acentua a não participação já que a conjuntura juvenil não é assegurada em crescer com uma bagagem política ofertada pelo estado, possibilitando a progressão do entrave.

Infere-se, portanto, que medidas sejam pensadas e postas em prática para o combate dessa atual problemática.Dessa maneira, urge que a esfera estadual, em parceria com o MEC ( Ministério da Educação e Cultura), promova e financie projetos de cunho educativo voltados à política que permeiem da escala infantil até a escala média de ensino, por meio de instituições escolares (sejam públicas ou privadas), com o fito de estabelecer a criação de um intelecto mais maduro e voltado para a questões que realmente importam para o futuro brasileiro.A partir dessas ações, apraz que um dos impasses originados, segundo Faoro e Darcy, pelo estado patrimonialista, seja eliminado da lista de problemas sociais do Brasil.