A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 25/08/2019
O movimento dos caras pintadas, em que milhares de jovens se mobilizaram em prol do impeachment do presidente Fernando Collor, foi um dos mais relevantes movimentos estudantis da história recente do Brasil, em que a potência política da juventude foi posta em evidência. Porém, hoje em dia, com o advento da internet como veículo de engajamento político e social, o relacionamento dos jovens com a política sofreu transformações.
A princípio, cabe ressaltar o papel preponderante das mídias sociais da atualidade na mobilização social. De acordo com o livro de Manuel Castells, “Sociedade em rede”, toda a sociedade está ambientada em torno das redes virtuais e tais ambientes são lugares propícios para as individualidades buscarem outras pessoas que tenham posicionamento político parecido de forma prática e rápida. Dessa forma, as redes sociais passam a ser polos de promoção de mobilização política real por conseguirem aglomerar grande quantidade de pessoas em torno de um objetivo comum. Como exemplo disso, há os protestos de 2013 contra o aumento das tarifas de ônibus, que mobilizaram milhares de pessoas pela internet e prova o quão potente tal ferramenta pode ser.
Porém, mesmo com as mobilizações via internet e todo o acesso às informações sobre política, ainda é um público juvenil ínfimo que decide se interessar pela política. Muitos jovens se sentem desiludidos com a política do país a cada dia que veem nos telejornais ou sites as notícias de corrupção que assolam o país. Assim, passam a ser apenas telespectadores da mudança e não mais agentes das transformações, e se tornam apenas “manifestantes de sofá”, e ignoram a real dimensão que a política mobilizadora ocupa na vida em sociedade, porque, como diz Aristóteles, filósofo grego, “O Homem é um animal político”.
Portanto, medidas são necessárias para resolver tais problemáticas. O incentivo do Ministério da Educação para que as escolas criem e desenvolvam associações estudantis, como grêmios e atléticas, para que os alunos exercitem a política na prática do cotidiano escolar é uma medida a fim de promover o desenvolvimento do pensar coletivo político dos estudantes e fomentar o engajamento em causas sociais. Só assim, então, as transformações serão, de fato, transformadoras e a potência da juventude será posta em exercício.