A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 28/08/2019

Um dos pilares da Filosofia Clássica, Aristóteles definia o indivíduo como um ser social com potencial para transformar a realidade vigente, pensamento inspirado nos princípios democráticos usados até hoje, os quais, no entanto, têm se mostrado em decadência, dada a falta de engajamento político de grande parte dos jovens brasileiros, o que pode ser entendido sob os aspectos sociais e culturais.

Inicialmente, é válido considerar o cenário socioeconômico como um precursor da falta de senso cidadão. Diante da crise enfrentada atualmente, tende a aumentar o “Complexo de Vira-latas’’ denunciado pelo escritor brasileiro Nelson Rodrigues, ao afirmar que a população passa a desacreditar no progresso nacional frente aos seus problemas, o que reflete no considerável número de jovens que abstêm-se do voto não obrigatório ou ausência em manifestações populares, tão importantes na histórica aquisição de direitos civis. Nesse sentido, cria-se uma realidade na qual a falta de perspectivas, corroborada pela mínima representatividade do setor juvenil nas decisões políticas, desestimula o ideal de pertencimento, com 34% dos futuros profissionais em intenção emigratória, segundo o jornal Datafolha, representando um sério dano ao futuro do país.

Outrossim, a construção cultural contribui diretamente para o desestímulo ao engajamento dessa parcela. Segundo a filósofa Hannah Arendt, uma sociedade que não encoraja o pensamento e a participação social está condenada a legitimar realidades desumanas em detrimento da constante busca por melhorias, problemática notada nas bases educacionais brasileiras, tendo em vista a carência da transmissão de ideais patrióticos e promoção da criticidade individual, ao passo que a única fonte de informações, muitas vezes sem fundamento, encontra-se nas redes sociais, que apesar de popularizarem debates antes restritos, moldam polarizações e superficialidades de pensamento.

Portanto, torna-se imprescindível incentivar a participação política do jovem no Brasil contemporâneo. O Ministério da Educação deve incluir na grade curricular, a nível fundamental e médio, o ensino de noções de cidadania e direitos civis nas disciplinas de História e Sociologia, que se efetivará por meio discussões em sala e criação de palestras com profissionais de direito e representantes jovens da política, a fim de formar uma consciência crítica e holística acerca da responsabilidade social nas bases do conhecimento. Cabe ainda à Escola criar espaços de apoio a alunos com interesses em comum, direcionando-os em possíveis causas e campanhas. Assim, será possível ter uma juventude atuante e que valoriza o legado da democracia no Brasil.