A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 25/08/2019
Gregório de Matos, século XVII. Castro Alves, século XIX. Malala, século XXI. Mesmo sabendo que são personagens de épocas e sociedades diferentes, nota-se ao longo da história, a existência de jovens preocupados em denunciar as mazelas da sociedade por meio de suas obras ou da própria voz. Contudo, percebe-se, na sociedade brasileira atual, certo distanciamento da juventude com a esfera política devido a falta de entendimento e de perspectivas com o futuro do país. Nesse contexto, ir à origem do problema é fundamental para entender as verdadeiras formas de combate a esse mal social.
Em uma primeira análise, é válido pontuar que a ausência de debates e aulas, em grande parte das escolas, sobre conceitos e sistemas políticos geram insegurança no indivíduo para participar de conversas sobre esse tema. Segundo o professor Paulo Freire, o maior objetivo da educação é de conscientização, ou seja, ofertar o exercício de cidadania aos estudantes para que entendam seu papel social e a maneira de lutar pela própria libertação. Entretanto, com a falta de estímulo nos ambientes escolares, muitos jovens permanecem na alienação, muitas vezes incapazes de desenvolver a própria opinião e o senso crítico sobre a realidade vivenciada.
É necessário pontuar, ainda, que os grandes escândalos de corrupção cíclicos, perpetuados desde a formação da República no final do século XIX, levaram parcela da população mais nova a descrer na melhora social e política. Tal questão pode ser explicada com a pesquisa do DataFolha ao revelar que mais de 60% dos jovens, se pudessem, sairiam do país. Isso ocorre porque, ao comparar o Brasil com países centrais, nota-se uma grande diferença quanto a qualidade e quantidade de ofertas de serviços públicos, o que corrobora para a manutenção do sistema vigente, visto que, por não se sentirem representados, os jovens ficam desmotivados e, assim, os políticos atuais permanecem no poder por mais tempo e ganham mais força.
É imprescindível, portanto, criar estratégias que motivem maior engajamento dos jovens na política. A fim de promover e ampliar o senso crítico e o conhecimento político, o Ministério da Educação deve acrescentar na Base Nacional Comum Curricular disciplinas como cidadania e política, principalmente no Ensino Médio, por meio de documentários e debates que se aproximem e interaja com a realidade para que haja formação de indivíduos que respeitem opiniões políticas divergentes e preparados para entender o funcionamento do sistema. Ademais, cabe ao cidadãos, pela capacidade de alterar seu próprio cenário, se envolver e buscar informações sobre os políticos e seus partidos para que, nos períodos de eleições, a mudança possa ocorrer por meio do voto.