A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/10/2019

Ocorrido em 1992, no Brasil, o movimento “Caras pintadas”, que teve o intuito de retirar o presidente Fernando Collor do poder, contou com a participação de estudantes secundaristas e universitários, onde a maioria era jovens. Hodiernamente, a sociedade brasileira presencia o contrário do que ocorreu em 1992, uma vez que a participação do jovem no cenário político atual é escassa, tendo como fator a falta de incentivo no ambiente escolar, que por consequência gera uma população de jovens manipuláveis.

Em primeira análise, é irrefutável que o descaso, por parte do sistema educacional, sobre a questão da participação dos adolescentes na política corrobora a problemática. Desde a juventude, a população sofre com a falta de incentivos e palestras que possibilitem aos mesmos uma orientação para terem uma vida política ativa. Segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, É no problema da educação que se encontra o grande aperfeiçoamento da humanidade. Tendo isso em vista, pode-se relacionar a fala de Kant à ausência de discussões nas salas de aula, uma vez que essa se torna um problema para o aperfeiçoamento da sociedade.

Por conseguinte, é convincente que a manipulação se transforma em uma consequência dessa problemática. Já que a população jovem fica “fora” da esfera política, a mesma se torna suscetível as famosas “fake News”. De acordo com dados divulgados pelo Instituto ipsos, de 2018, os brasileiros são os que mais acreditam nessas notícias falsas, contabilizando que 62% dos entrevistados já foram afetados pelas mesmas. Logo, deduz-se que sem o conhecimento dos acontecimentos políticos na sociedade não só o jovem, mas também o restante da população acaba sendo manipulado pela falta de informações.

Portanto, torna-se evidente que há entraves a serem solucionados para que ocorra o fim da problemática. Para que haja incentivo aos adolescentes, desde a fase escolar, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, junto com o Governo Federal, aulas que auxiliem os estudantes a participarem das decisões políticas e detalhem a importância da atuação dos mesmos no cenário atual, sem que exista um posicionamento partidário da equipe gestora e professores da instituição. Somente assim, será possível fomentar o desejo dos indivíduos a estarem ativos nessa esfera e, ademais, resolver o problema proposto por Kant, adquirido um aperfeiçoamento significante no país.