A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 26/08/2019
Em “Triste Fim do Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o personagem principal vive uma trajetória de íntimo engajamento político, contudo, termina desiludido com a recente República. Longe do campo literário, essa história não destoa muito da participação do jovem brasileiro na política nacional, haja vista que o descontentamento com as falhas do sistema vigente leva-o, muitas vezes, à desmobilização, o que é prejudicial para o sistema democrático. Nesse contexto, o reforço educativo e a mudança das falhas no regime são imprescindíveis para a atenuação desse cenário problemático.
A princípio, a ausência de alfabetização política dificulta a desconstrução de uma cultura de apatia da juventude acerta das decisões públicas. A esse respeito, quando o filósofo Paulo Freire defende um ensino voltado para o reconhecimento do aluno como agente de mudança social, ratifica o papel da escola na formação de cidadãos ativos. Todavia, o baixo fomento ao conhecimento do sistema político nacional em uma significativa parcela das instituições de ensino colabora para a construção de uma sociedade que, muitas vezes, parece ignorar o pode transformador da política.
De outra parte, a atual crise de representatividade também atua como fator agravante para a problemática em questão. Com efeito, episódios recorrentes de desvios éticos e falta de escrúpulos por parte de uma parcela dos governantes reforçam descrença do eleitorado mais novo com a política, o que se reflete em uma postura, em muitos casos, de descompromisso com o voto. Diante disso, a redução do número de eleitores de dezesseis e de dezessete anos, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral, ilustram esse quadro, o que exige um empenho da sociedade para a mudança dessa realidade.
Urge, portanto, a necessidade de incentivar a cidadania participativa dos jovens no Brasil. Nesse aspecto, a fim de promover essa integração, cabe ao Ministério da Educação, por meio da alteração dos Parâmetros Nacionais Curriculares estimular estudos acerca do sistema político brasileiro com a criação de uma disciplina específica, que destaque a importância do engajamento de todos agentes da sociedade. Paralelamente, a Câmara dos Deputados deve propor projetos de reforma política, mediante medidas legislativas, que busquem apresentar um modelo no qual todos se sintam representados. Espera-se, assim, desconstruir o “complexo de Policarpo Quaresma”, com a reversão da desilusão.