A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 22/09/2019
O ano de 1992 ficou marcado por um movimento estudantil brasileiro, conhecido como “Caras-pintadas”, que tinha como objetivo o impeachment do presidente da época, Fernando Collor de Mello. Ao invés desse engajamento político se propagar na sociedade, muitos jovens têm se distanciado dos assuntos diplomáticos, atualmente. O afastamento se dá, em grande maioria, por uma falta de incentivo nas escolas, além da internet ter aumentado os riscos de manipulação desse grupo social.
Em primeira análise, quando Lev Vygotsky afirma que as escolas não devem se afastar da esfera social dos alunos salienta-se a importância delas na construção de cidadão críticos. No entanto, a supervalorização de disciplinas como matemática, biologia e física, e a consequente desvalorização dos temas políticos pelas instituições de ensino no Brasil, desestimula os jovens a participar das atividades diplomáticas da sociedade. Dessa forma, as escolas estão formando indivíduos mais facilmente alienáveis e com menos desejo de se engajar socialmente.
Ademais, a internet também causa prejuízos na participação política do jovem no Brasil. Embora as redes sociais tenham usos positivos, como no episódio da Primavera Árabe, no qual a partir do meio digital foram convocadas passeatas contra governos ditatoriais, elas também podem ser um instrumento de manipulação. Como as notícias, que antes eram produzidas por fontes oficiais, agora são elaboras pelo povo, há uma perda da legitimidade das informações, pois o cidadão não é preparado tecnicamente para apurar os fatos e repassá-los. Sendo assim, há uma maior produção de Fake News também envolvendo questões políticas, que podem manipular os jovens nessa esfera.
Fica claro, portanto, que tanto a falta de educação como a manipulação cibernética são fatores que interferem na participação diplomática dos jovens na sociedade. Logo, faz-se necessária a ação do Estado, nas esferas Estadual e Municipal, no apoio aos grêmios estudantis e na promoção de palestras que incentivem a atividade política dos alunos, através do oferecimento de verba, para estimular a construção de estudantes mais críticos, e assim, aumentar a participação dos mesmos na esfera política do Brasil.