A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 25/08/2019
No século XX, o Brasil acompanhou um dos maiores movimentos políticos efetuado pelos jovens, que ficou conhecido como “Caras-pintadas”, o qual exigia o impeachment do presidente Fernando Collor. Dessa forma, a participação política dos jovens tem aumentado consideravelmente ao longo das últimas décadas, porém a ampliação dessa atividade tem sido contrária a consciência política da juventude, a qual não busca conhecimento para compreender o cenário político. À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à superficialidade da geração e à ineficiência do Estado.
A priori, conforme a obra “Sociedade líquida-moderna”, de Zygmunt Bauman, vivemos em uma sociedade inconstante, a qual nada é feito para durar e o cidadão transforma-se em consumidor. Assim, com o advento das redes sociais os jovens tornaram-se, cada vez mais, superficiais, de maneira que buscam consumir o máximo de informação possível e não investigam sua veracidade e nem procuram compreendê-lá. Dessa maneira, essa inconstância intensifica milhares de jovens a participarem do cenário político, mas sem a análise e compreensão do contexto social e histórico para refletirem e julgarem se suas reivindicações realmente são válidas para a situação hodierna.
Outrossim, consoante o filósofo Aristóteles, a finalidade da função estatal deve ser o bem comum e não os interesses individuais de quem governa. Desse modo, o descaso dos governantes perante o povo tem levado o Estado a falhar no cumprimento de seu dever básico, a proteção dos direitos dos cidadãos e tem sido utilizado como aparto de corrupção. Consequentemente, o sentimento de injustiça e de mudança florescem de forma vívida nos jovens que impactam o âmbito político, através da força das manifestações populares contra os descasos do governo, como a corrupção e a desigualdade social.
Portanto, é evidente que medidas são necessárias para contornar a superficialidade da nova geração e que possam reivindicar seus direitos conscientemente como o movimento dos “Caras-pintadas”. Com isso, assiste ao Ministério da Educação, por meio de diretrizes escolares, a criação de programas escolares, os quais visem ensinar e esclarecer aos jovens sobre o uso da internet e como filtrar e compreender as diversas informações que ela contém, para que haja uma futura geração engajada e consciente do papel que ela possui na sociedade. Ademais, cabe ao Supremo Tribunal Federal, por intermédio de procedimentos constitucionais, a criação e ampliação de órgãos fiscalizatórios, os quais forneçam informações, de forma clara, das ações exercidas pelo poder Legislativo e Executivo e quais os benefícios que tais ações têm gerado para a sociedade, a fim de que haja uma maior transparência nas decisões do Estado para com suas obrigações básicas.