A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 26/08/2019
Sob a perspectiva de Zygmunt Bauman, como sociedade, nós somos responsáveis um pelo outro, querendo isso ou não, pela simples razão de que em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos ou deixamos de fazer tem impacto na vida de todo mundo, e tudo o que as pessoas fazem ou se privam de fazer, acaba afetando diretamente nossas vidas. De forma análoga, é imprescindível o engajamento político de todos indivíduos na sociedade, incluindo os mais jovens. Entretanto, em meio à descrença popular na política nacional, o Brasil enfrenta dificuldades na conscientização de seus jovens acerca de sua importância no meio, cabendo, portanto, a análise e possíveis intervenções para a problemática.
Em primeiro lugar, é possível compreender que a revogação das aulas de educação cívica em 1993 contribuiu para a formação de gerações de indivíduos sem compreensão sobre a estrutura do Estado e da função política na sociedade. A exemplo disso, o movimento estudantil dos “caras-pintada” de 1992 que influenciou diretamente o impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo mostra como era o engajamento político do jovem brasileiro em épocas anteriores à revogação, enquanto nos dias de hoje essa consciência coletiva mostra-se menor ano após ano. É o que revelaram os dados levantados pelo Tribunal Superior Eleitoral, onde cerca de 79% dos eleitores entre 16 e 17 anos não participaram das eleições de 2018, boa parte atribuindo sua ausência à dificuldade de compreensão do cenário polarizado ao qual o país viveu e ao desconhecimento político.
Em segundo lugar, apesar das dificuldades enfrentadas, as redes sociais mostraram possuir influência na conscientização política do jovem contemporâneo, como feito pela organização online “Movimento Brasil Livre”, que em 2013 conseguiu levar milhões de pessoas, incluindo jovens, às ruas durante protestos favoráveis ao impeachment da ex presidente Dilma Rouseff. Com isso, a voz dos mais jovens mostra o tamanho do poder que possuem, pois eles refletem a esperança e busca pela renovação do cenário político e social. Ademais, de acordo com o líder pacifista Mahatma Gandhi, “temos de nos tornar a mudança que queremos ver”, lutando para fazer a diferença na sociedade como um todo.
Infere-se, portanto, que é de extrema necessidade que haja a reinclusão pelo Ministério da Educação (MEC) das matérias criadas pelo ex presidente Getúlio Vargas, tais como “educação moral e cívica” e “organização social e política brasileira” nas diretrizes curriculares educacionais. Assim, após possível aprovação da proposta no Congresso Nacional e pelo chefe do executivo, as aulas poderiam contar com a participação de cientistas políticos em palestras mensais, além de utilizar como parte da avaliação a atividade prática dos jovens em fóruns de debate realizados em comissões da Câmara dos Deputados, enriquecendo assim seu conhecimento, senso crítico e consciência política.