A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 26/08/2019

A onda de protestos políticos conhecida como “Primavera Árabe”, em 2011, teve início na internet por meio do uso das redes sociais e foi amplamente apoiada pela população juvenil dos países árabes envolvidos nas manifestações. De maneira análoga, ainda que menos intensos, movimentos semelhantes têm acontecido no Brasil atual, com uma expressiva participação de jovens por todo o país. Nessa conjuntura, para que seja possível compreender e validar a participação política dessa faixa etária, cabe analisar os principais motivos que impedem tal feito: o pouco engajamento político e a baixa discussão dessa temática, principalmente nas salas de aula brasileiras.

Em princípio, é importante entender como a passividade em relação a política atua negativamente nessa questão. Seguindo esse raciocínio, segundo o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, uma das características inatas do brasileiro é a cordialidade, ou seja, as ações baseadas na emoção e não na razão. Nesse sentido, o pensamento irracional impede uma reflexão crítica e, em consequência, isso leva a descrença e passividade do indivíduo, que não se sente representado pelas figuras políticas eleitas. Desse modo, esse processo ocasiona uma hesitação na hora de participar ativamente da política.

Ademais, é notório como trazer esse tema para as escolas seria benéfico a formação cidadã dos brasileiros com mais de 16 anos. Sob esse viés, para o filósofo Lev Vygotsky, as questões sociais que permeiam o estudante devem ser abordadas no ensino regular. Assim, faz-se necessário o debate da participação política dos jovens nas escolas do Brasil, principalmente quando, de acordo com o jornal Estadão, um terço da população eleitoral é formada por eles. Em contraste, ações pedagógicas com a finalidade de trazer esse assunto para o meio estudantil são timidamente desenvolvidas. Logo, ao não falar sobre, forma-se a desinformação e isso contribui para a não participação política dessa parcela populacional, pois ela não reconhece o seu papel social como cidadão em escala nacional.

Infere-se, portanto, que entraves impedem a mobilização e o reconhecimento da função enquanto cidadão entre os juvenis. Para que isso ocorra, o Governo, juntamente com o poder midiático, deve vincular campanhas de conscientização em horários nobres no meio televisivo que incentivem os jovens a pesquisar o histórico dos candidatos que eles pretendem votar, para que eles possam acompanhar a trajetória eleitoral de cada um e possam se identificar com seus ideais. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir essa temática dentro da Basa Nacional Comum Curricular, para que esse tópico seja abordado no ensino básico e os estudantes possam ter consciência do seu papel político. Destarte, a participação política do jovem no Brasil será valorizada e efetiva.