A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 26/08/2019

Na década de 80, o Brasil vivenciou um movimento que ficou conhecido como “Diretas já”. Nesse contexto, o país viu uma geração que cresceu em meio à ditadura se levantar e lutar pelo direito de participar politicamente por meio do voto. Contudo, hodiernamente, o cenário é outro. Nota-se a apatia e a inércia da juventude em relação a politica, motivada pela leniência do modelo educacional bem como a má utilização do ambiente virtual.

Em primeira análise, é necessário pontuar que o impasse acentua-se devido a uma falha educacional. Isso ocorre porque as escolas hipertrofiam as grades curriculares com conteúdos tecnicistas em detrimento de eixos que abordem questões de ética e cidadania, de modo a abrir espaço a discussões e para o entendimento sobre a  participação no âmbito político. Nessa perspectiva, nos raros momentos em que o tema é colocado em pauta, observa-se uma abordagem superficial e pouco atraente ao estudante. Como consequência, nota-se que essas instituições não comprem o seu papel que é o de formar indivíduos com senso crítico e engajados.

Outrossim, vale destacar que o uso das redes sociais trás uma visão equivocada de participação política. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade comporta-se como um grande organismo social, na qual suas partes devem trabalhar em harmonia para um funcionamento eficiente. Em analogia, é compreensível que as manifestações sociais têm um papel fundamental no processo de harmonia social, pois buscam a resolução de problemas que afetam toda a sociedade. Contudo, o engajamento do jovem contemporâneo ocorre de maneira passiva, associado a meras postagens nos meios virtuais, o que impede a mobilização física. Assim, é perceptível a redução da marca do patrimonialismo e do corporativos, esses que tinham nas ruas um símbolo de protagonismo popular.

Portanto medidas são necessárias para solucionar o impasse. Para isso, o Ministério da Educação, deve reformular a grade curricular das escolas de nível básico e médio, por meio da inserção de disciplinas como Ética e Cidadania, que abordem a importância da participação política, de modo a garantir a formação de indivíduos conscientes do seu papel enquanto cidadãos. Ademais, cabe ao setor midiático, em consonância com profissionais da educação, elaborarem campanhas de engajamento dos jovens - na televisão e redes sociais - mediante a divulgação de publicações, vídeos e charges que remetam a acontecimentos históricos que só foram possíveis por meio da participação ativa popular. Dessa forma, será possível garantir que o envolvimento da juventude não seja apenas uma página nos livros de história.