A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 26/08/2019
O movimento dos caras pintadas, ocorrido no ano de 1992, o qual tinha por objetivo prestar apoio ao processo de impeachment do então presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello. Tal movimento, foi marcado pela presença dos jovens, notadamente os estudantes, e foi essencial para a derrubada do referido governo, servindo para a consolidação do papel ativo dos mais novos no processo democrático brasileiro. Já no século XXI, movimentos como a Primavera Árabe, ocorrida no Oriente Médio e no Norte da África, e aos protestos ocorridos em 2013, no Brasil, reforçaram a atuação política dos jovens.
Em primeiro plano, a Primavera Árabe foi um movimento reivindicador de melhorias sociais e fim do ditaduras, iniciado em 2010, e seu estopim ocorreu quando o jovem Mohamed Bouazizi, um vendedor de frutas, ao perceber o iminente confisco de suas mercadorias, ateou fogo ao próprio corpo o que desencadeou uma revolta popular que depôs o ditador Ben Ali após 24 anos no poder, além de protestos em outros países. Nesse sentido, aquilo que poderia ser uma atitude isolada de um homem desesperado, transformou-se no início de uma revolução, logo o brasileiro novo deveria ter Bouazizi como seu herói, não pela sua atitude desesperada, mas sim por sua luta contra o status quo tirano, somente questionando a ordem estabelecida e lutando para que seus direitos não sejam violados, esta é a única forma de transformar a inconformidade dos cidadãos em melhoria social.
De outra parte, os protestos ocorridos em 2013 em oposição ao aumento da tarifa de ônibus e à Copa do Mundo de 2014, trouxeram a temática novamente à tona, visto que os chefes destes eram pessoas novas e se organizavam por meio de redes sociais. Segundo o Jornal Estadão, em 2018, o eleitorado brasileiro estava compreendido na faixa etária entre 16 e 33 anos, constituindo assim um terço do eleitorado brasileiro, ou seja 45 milhões de pessoas, grande parte deste poderiam tentar elerger-se como representante do povo, entretanto a Constituição Federal de 1988 estabelece como idade mínima 30 anos para o cargo de Governador e Vice, Presidente e Vice, além de Senador, algo que dificulta a ambientação política, e a renovação do meio por novas ideias e reivindicações das classes mais novas.
Tendo em vista os argumentos selecionados, a Câmara dos Deputados deveria propôr uma Proposta de Emenda à Constituição alterando a idade mínima para que os jovens se utilizem da instância política como meio de alteração social, reafirmando assim seu pleno direito ao exercício político, e trazendo novos ideias e necessidades. Já, o Tribunal Superior Eleitoral deveria estabelecer um decreto no qual constace uma cota mínima, estabelecendo que 10% dos filiados ao partido estivessem na linha abaixo dos trinta anos, aumentando de maneira efetiva a participação dos brasileiros, e aumentasse o senso de coletividade do jovens desta nação que desempenham fundamental papel social nesta democracia.