A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 26/08/2019

Durante a Grécia Antiga, muitos filósofos defendiam a ideia de que para ocorrer um desenvolvimento político digno, os cidadãos deviam deixar de trabalhar - delegando esse papel aos escravos - e dedicar-se ao ócio a fim de atingir a plena razão de suas decisões. Além de equivocada, essa percepção excluía estrangeiros, jovens, escravos e mulheres do propósito político que comandava as cidades da época. Já em meados do século XXI, os poderes democráticos vigentes permitem uma maior pluralidade de participação, propiciando novos anseios e demandas da sociedade - como no Brasil. Nesse contexto, faz-se relevante a reflexão sobre a atuação política da juventude brasileira nos tempos atuais e suas consequências nos planos governamentais do país.

Primordialmente, a conscientização política é pouco discutida e trabalhada no ambiente estudantil dos jovens brasileiros. Ao analisar a história do Brasil, percebe-se que importantes mudanças e conquistas contaram com a participação decisiva da juventude. Na década de 1950, associações estudantis e juvenis estiveram à frente da campanha “O Petróleo é Nosso”, e também teve papel decisivo na luta contra a ditadura militar (1964-1985) - que interrompeu o exercício da democracia e dos direitos civis. Com isso, faz-se necessário a criação de ferramentas escolares, pelo governo, que promova a interação precoce entre os jovens, com sua percepção de mundo e ética em formação, e a política brasileira para que possam atuar com responsabilidade nas decisões administrativas do país, cobrando papel efetivo dos governantes e participando dos processos eleitorais.

Além disso, o poder político brasileiro precisa ser reestruturado para promover a expressão juvenil do país, que compõem quase 25% da população no Brasil. Há uma necessidade de remover o modelo patriarcal que rege a nação – atualmente o setor governamental é ocupado por homens velhos. Esse é um dos motivos da ausência de representatividade: até mesmo quando há candidatos jovens na disputa, os ideais são os de um homem mais velho ou com influência que apoie o cargo a ser ocupado. Devido a isso, demanda-se a pluralidade nestes espaços, para que a juventude possa exercer o direito de expressar o incômodo, a indignação e a vontade de mudança. A decepção com as decisões políticas é a maior motivação para a participação das diferentes juventudes nessa nova jornada.

Nota-se, portanto, a necessidade de adotar medidas que visem incentivar a conscientização e a participação política juvenil no Brasil. Dentre elas: a adição na Base Nacional Comum Curricular, pelo Ministério da Educação, de aulas específicas sobre Política, com auxílio de instrumentos midiáticos e  de presença periódica de profissionais da área de Ciências Sociais a fim de esclarecer e consolidar a conscientização cidadã dos jovens e proporcionar um papel social e político efetivo por estes.