A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 30/10/2019
Em uma das músicas do grupo Charlie Brown Jr, retrata o jovem diante da sociedade ‘’Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, o jovem no Brasil nunca é levado a sério’’. Tal enredo demonstra ironicamente, o potencial revolucionário que o jovem pode causar na sociedade, além de como a mídia e os políticos se comportam diante disso. Desse modo, a mobilização juvenil acerca de um contexto social é determinante para o futuro do país, cabendo ao Estado resguardar os devidos direitos conforme regulamenta a carta cidadã.
A priori, é preciso ressaltar que o perfil do jovem é algo que se constrói com o decorrer das gerações e os seus papéis na sociedade variam de acordo com o contexto histórico. Por esse viés, a partir da década de 70, a importância das gerações X e Y se deu na passagem do mundo sólido para o mundo líquido, uma mudança profunda nos valores morais da sociedade da época, no qual ilustra o filósofo Zygmunt Bauman. Posteriormente, com a globalização e a evolução dos meios de comunicação, a geração Z, a partir dos anos 90 até 2010 , é a qual vai exercer o papel de transformadora da sociedade, haja vista os grandes movimentos sociais que lutavam pelos direitos civis, ou seja, uma geração politizada por necessidade.
A posteriori, é necessário compreender a problemática supracitada por intermédio do campo sociológico. Em consonância com Émile Durkheim, os indivíduos em sociedade estão submetido à coerção dos fatos sociais, os quais determinam seu comportamento através da pressão exercida pelos valores morais e éticos da sociedade. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a mobilização juvenil se encaixa com a ideia do sociólogo, uma vez que a quebra de valores e barreiras morais em virtude do desejo da emancipação política e da luta dos direitos é algo inerente a participação do jovem no contexto político. Tal cenário é visto várias vezes na história brasileira, destacando-se por exemplo, os ‘’Caras-pintadas’’ da década de 90, as ‘’Jornadas de Junho - Manifestações de 2013’’ e a resistência juvenil durante a ‘’ Primavera Secundarista’’.
Dado o exposto, para solucionar os entraves em questão e promover o bem estar social e promover, por fim, a garantia de direitos conforme regulamenta a Carta Cidadã, faz-se mister uma responsabilidade entre sociedade e Estado. A este como gestor dos interesses coletivos, cabe viabilizar uma política pública que busque melhorar a qualidade de escolas, transportes públicos, Hospitais ou qualquer direito que as demais manifestações ansiavam, visando garantir o papel de Estado democrático e eficiente. Para mais, a sociedade, sobretudo os jovens devem exigir tais reformas de seus representantes, por meio de manifestações e protestos, garantindo a soberania popular juvenil.