A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 28/08/2019
“Fé na moçada”
Segundo Platão, “não há nada de errado naqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”. Diante da compreensão de tal pensamento do filósofo grego e do despertar quanto à maneira que o processo político é realizado no Brasil, uma mentalidade revolucionária, ainda que recente e frágil, de contribuir direta ou indiretamente para uma real mudança no sistema de organização do Estado, tem sido manifestada pela juventude contemporânea, na esperança de que seus ideais também sejam assistidos.
Em primeiro lugar, é importante entender o cenário de indiferença que os jovens viviam quanto às questões políticas. Essas eram, e a maioria continuam sendo, historicamente pautadas em voto censitário, escândalos administrativos, corrupção e impunidade, gerando cada vez mais desinteresse e incredulidade em seus “representados”. Ademais, a falsa, porém justificável percepção de que a política está direcionada a uma parcela específica da sociedade, acabou por afastar ainda mais os jovens desse assunto, o que é totalmente plausível visto tamanhas deficiências no regime vigente, onde, de acordo com a perspectiva do escritor José Saramago, o grande problema dele é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente.
Entretanto, a visão da juventude sobre cidadania, seus deveres e direitos tem sido paulatinamente mais explorada e debatida. Hoje, a participação dessa faixa etária da população fica mais evidente principalmente pela facilidade que os meios de comunicação dispõem de propagar opiniões, ideias e, até mesmo, mobilizar multidões em prol de manifestações, assim como foi em 2013, entretanto, os protestos como a “Passeata dos cem mil” e as “Diretas Já” já contavam também com a presença dos estudantes brasileiros. Aos poucos eles percebem que a falta de consciência política traz problemas para a efetividade da democracia e engajam-se nessa causa, deixando de ser eleitores passivos e para se transformarem em ativos.
Portanto, para que este processo de participação dos jovens seja mais expressivo e eficaz, promovendo assim uma ampla ressignificação no modo em que se dirigi a nação, é necessário que parta do Ministério de Educação a implantação de atividades, como debates em sala de aula e feira de sociologia, que possam formar no indivíduo a consciência sobre a importância de se envolver, enquanto cidadão, nas decisões políticas, palestras e até mesmo nas eleições internas, como presentes em grêmios estudantis. Dessa forma, será possível uma “rapaziada” como a da música de Gonzaguinha: que vai à luta e busca a manhã desejada.