A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 29/08/2019

No final do século XX, a juventude brasileira figurou-se como um agente primordial na luta pela garantia dos direitos constitucionais, no movimento denominado Caras Pintadas. No entanto, apesar deste evento ter sido significante e ter culminado na renúncia de um presidente da República, evidencia-se, no Brasil contemporâneo, uma redução do interesse, por parte dos jovens, na participação política. Desse modo, é necessário debater acerca das principais causas dessa problemática na sociedade brasileira.

A princípio, cabe ressaltar o pensamento incorreto sobre a importância do voto. Nesse contexto, faz-se essencial demonstrar que o sufrágio universal foi uma conquista alcançada depois de anos de luta dos brasileiros, visto que no primeiro reinado, por exemplo, essa garantia era concedida apenas aos homens que possuíam certa renda. Atualmente, distante dessa perspectiva do voto censitário, esse direito ainda não se configura como algo relevante para parte da população, sobretudo para os mais jovens. Isso ocorre porque estes são constantemente bombardeados por notícias falsas, veiculadas nas redes sociais, as quais têm como objetivo expor a irrelevância de um único voto. Dessa forma, o interesse pela participação política, nessa parcela da sociedade, diminui.

Em segunda análise, é notável salientar que a falta de comunicação entre políticos e jovens contribui para a agravar o problema. Segundo a teoria da ação comunicativa, defendida pelo sociólogo alemão Jurgen Habermas, uma democracia deve utilizar o diálogo para a construção de soluções. Nesse cenário, observa-se, no Brasil, uma situação contrária ao pensamento de Habermas, posto que a troca de informações entre membros do Poder Legislativo e Executivo e a juventude é insuficiente e ocorre com maior frequência nas campanhas eleitorais, especialmente para a obtenção de votos. Logo, é imperiosa uma ação para modificar esse panorama.

Infere-se, portanto, que a redução da participação política dos jovens é um problema no Brasil. Para que essa parcela possa envolver-se de maneira mais efetiva nesse cenário, urge que o Estado incentive a permuta de ideias entre os servidores do Poder Legislativo e Executivo e a juventude brasileira, por meio da realização de debates, presenciais e virtuais, com a exemplificação da relevância de cada um dos votos e com a participação de políticos de outros países, os quais podem mostrar soluções que funcionaram para a resolução de obstáculos em suas nações. Somente assim, a população mais jovem poderá retomar o engajamento político, como visto no movimento dos Caras Pintadas, e compreender a notoriedade do direito ao voto.