A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 03/09/2019
A relação entre os jovens e a política é um vínculo que se torna mais forte a cada geração. Percebe-se, portanto, uma crescente consciência da importância dos jovens na promoção de reformas sociais. Nesse sentido, pode-se dizer que a geração de 1960 e seu ideal revolucionário foi um marco divisor que datou o início de um maior interesse político da juventude. Além disso, é notório que o advento da internet intensificou significativamente o compartilhamento de informações, fato que tem favorecido a ocorrência de manifestações e protestos. A priori, cabe analisar que a mais significativa “onda” de participação jovem na política se deu entre 1950 e 1970. Naquele contexto, a ocorrência da Guerra do Vietnã e o apartheid na África do Sul fizeram jovens do mundo todo perceberem o quão necessário é proclamar a reafirmação dos ideais de liberdade e igualdade. Mais tarde, os protestos contra a ditadura militar no Brasil reafirmaram a importância de não se deixar calar e refletiram em clássicas canções como “Cálice” e “Somos todos iguais nesta noite”. Desde então, o interesse dos jovens por política é, felizmente, uma realidade que só tem a crescer. Somado a isso, a popularização da internet teve a valiosa função de permitir que os jovens se informem rapidamente e troquem opiniões com pessoas de todo o globo, o que favorece a organização de manifestações políticas. Entretanto, percebe-se que, a despeito de tais facilidades, muitos jovens ainda carecem de um estímulo maior para que seu interesse pelas questões políticas seja despertado. Com isso, a falta de engajamento os torna alienados, e, portanto, mais sucestíveis a aceitar passivamente as decisões dos governantes, sejam elas boas ou ruins. Consonantemente, o pesquisador Jean Piaget afirmou que a educação tem o papel de estimular as pessoas a fazer coisas novas, não apenas repetir o que outras gerações já fizeram - tal ideia ressalta a necessidade de participar com propriedade em prol de mudanças positivas.
Constata-se, assim, a premência de uma intervenção bem intencionada que vise a real democratização da participação política. Para tanto, é mister que ONGs (Organizações não Governamentais) interessadas em promover o engajamento social da juventude organizem reuniões periódicas em que os jovens possam agir ativamente. Nessa perspectiva, tais reuniões devem fomentar debates, por meio de palestras introdutórias sobre assuntos de relevância social, a fim de fazê-los perceber os problemas políticos que os cercam, uma vez que somente assim poderão proceder no sentido de solucioná-los. Ainda, com o objetivo de sair do campo das ideias, as ONGs devem organizar manifestações no intento de transformar determinados problemas e estimular o engajamento dos jovens, por meio da elaboração de cartazes e da criação de “gritos de guerra”, por exemplo. A partir dessas medidas, um número ainda maior de jovens se verá contagiado pelo desejo de fazer do Brasil um lugar mais justo e igualitário.