A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/09/2019

Na obra “Homo Deus”, Noah Harari apraza a importância da mobilização popular renovação social. Entretanto, essa conjuntura não vige plenamente na contemporaneidade, uma vez que o uso despautério das redes sociais e a displicência de instituições formadoras de conduta têm incitado uma redução da participação dos jovens modernos na política.

Máxime, avulta-se o hiato diacrônico da Primavera Árabe - insígnia irrefutável de mobilização popular mediante o uso das redes sociais. Contudo, esse cenário apresenta modificações na vereda equeva, haja vista que a crescente inserção tecnológica no cotidiano coletivo, associada à inação societária frente a abusos políticos amplia as manifestações virtuais, em detrimento da esfera física. Diante disso, evidencia-se a improficuidade dessa modalidade de protesto no que tange à obtenção de resultados concretos, o que intensifica a divergência entre interesses sociais e ações políticas. Destarte, ressalta-se - consoante à teoria do Poder Simbólico, de Pierre Bourdieu - o surgimento de uma sociedade simbólica, cujo engajamento restringe-se apenas à esfera cibernética.

Equitativamente, ressalta-se a displicência de corporações formadoras de conduta para incutir a monta de manifestação juvenil. Sob esse viés, destaca-se o malogro do Movimento Escola Nova - cujo esteios seria a transmutação civil, mediante a gradação do intelecto - visto que a exiguidade de projetos extensionistas que visem à democratização dos direitos inalienáveis e da importância da mobilização conduz à formação de uma juventude inerte diante dos lapsos sociopolíticos hodiernos - o que amplia o repto para a fidedigna vigência do Estado Democrático de Direito.

Insta-se, pois, que o Ministério da Educação e Cultura, em sinergia com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, promova a conscientização acerca do uso racional das redes sociais e da importância da mobilização social, por intermédio da realização de workshops interativos, bem como pela implantação da disciplina “Princípios Civilizatórios” - de caráter lúdico - na Educação Básica, com o intento de fomentar a elucidação social e, assim, salvaguardar os objetivos progressistas e benemerentes da participação política dos jovens, conforme chancelado por Harari.