A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 05/09/2019

Maio de 68 ficou conhecido como um movimento social ocorrido principalmente na cidade de Paris em 1968, que influenciou grande parte da juventude mundial, nele jovens saíram as ruas para lutar por mais direitos. Analogamente ao passado, no ano de 2018 os jovens brasileiros foram essenciais para a eleição de Jair Bolsonaro por meio das redes sociais. Portanto, é possível verificar que em ambas as épocas os jovens estão presentes na política, entretanto, o formato das participações são divergentes. Hoje, a participação ocorre principalmente por trás das telas, de modo quase que passivo, nublado pelo anonimato e por desinformações.

Na década de 60, em meio a guerra fria, os jovens parisienses foram as ruas exigindo maior liberdade de expressão, mais direitos às mulheres e o fim das guerras. Sobretudo, é notória a iniciativa de deixar de lado o pensamento individualista e capitalista vigente, para se reunir e lutar pelos seus objetivos e transformar a sociedade de forma direta. Evidentemente, a ascenção da cultura pop e dos meios de comunicação de massa foram essenciais para difusão dos pensamentos e convocações para a luta, de modo que grande parte dos jovens no mundo foram influenciados e motivados pelos mesmos pensamentos.

Contudo, nota-se que atualmente a expansão dos meios de comunicação e o surgimento das redes sociais parecem ter se tornado empecilhos para a participação dos jovens, contrariando a lógica de 1968. Haja vista que, as eleições presidenciais de 2018 no Brasil foram marcadas pelas “fake news”, informações inatas disseminadas na internet, e que de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 85% dos internautas brasileiros tem de 18 a 24 anos, é inegável que a juventude teve grande participação nesse processo. Todavia, é evidente que esse modo de fazer política não é saudável, pois o jovem dissemina desinformações, incentivado pela impunidade garantida pelo anonimato. Além disso, agir por trás das telas mostra-se uma maneira segura e confortável de se manifestar, de modo que, a mobilização e a luta nas ruas, que em 1968 gerou tantos benefícios, torna-se obsoleta.

Portanto, para garantir que os jovens brasileiros tenham participação mais ativa e legítima na política, retomando o espírito de luta e de mobilização dos jovens da década de sessenta, é necessário que algumas medidas sejam tomadas. Cabe ao Congresso Nacional, sede do poder legislativo, criar uma política de incetivo aos jovens na participação política, os convocando, por exemplo, por meio dos influenciadores digitais a participar das sessões na câmara de suas cidades ou até mesmo em sua própria sede, desse modo, a tecnologia pode ser utilizada de forma benéfica nesse cenário.