A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 07/09/2019

Durante a década de 1980, a movimentação da geração de jovens crescidos durante a ditadura ficou conhecido como as “Diretas Já” e resultou na possibilidade de eleições diretas para presidente em 1985. Considerando a juventude brasileira atual, pode-se observar pessoas mais relapsas em relação à política de modo geral e que, consequentemente, banalizam a batalha de gerações passadas já que não dão ao voto, principal forma de participação política do país, seu devido valor. O que se tem, no entanto, são jovens que possuem muito pouca representatividade mas têm voz ativa nas redes sociais, e acabam redefinindo a forma de fazer política.

A principio, é necessário entender que a crise política enfrentada pelo Brasil teve influência direta na decisão dos jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, de votar ou não. Os inúmeros casos de corrupção e desvio de dinheiro por parte dos políticos geraram nos jovens uma espécie de desilusão em relação ao futuro político do país. Isso fica evidente nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que mostram uma diminuição de 14% no número de jovens entre 16 e 18 anos aptos a votar no período entre 2014 (deflagração da principal investigação contra corrupção no Brasil, a Lava Jato) e 2018.

Apesar disso, não é certo dizer que o jovem não tem participação política no Brasil porque não vota. Muitos jovens brasileiros lutam, diariamente, por seus direitos nas redes sociais, ou fazendo parte de movimentos nos quais acreditam. Assim, pode-se observar que mesmo não votando, grande parte da juventude brasileira é sim, engajada e participativa politicamente, como exemplo temos as manifestações de 2013, contra o aumento das passagens de transportes públicos e falta de serviços públicos de qualidade, que reuniram milhões de jovens nas ruas do país todo.

Assim, fica evidente a necessidade de orientar os jovens da importância de votar mas de também amadurecer essa ideia de ir à luta por seus direitos. Isso pode ser feito trazendo a política para o ambiente familiar e gerar discussões saudáveis, respeitando as diferentes opiniões. Ademais, o Ministério da Educação poderia promover essa familiarização com a política também em sala de aula, através de palestras, debates e até mesmo eleições internas, ressaltando a importância de fazer sua voz ser ouvida através do voto.