A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 10/09/2019
A Ditadura Militar foi marcada pela incerteza política e perseguição aos opositores. Durante esse período, o movimento juvenil tornou-se a principal forma de resistência ao regime opressor, um exemplo, é a “Passeata dos cem mil”, organizada pelo movimento estudantil. Nesse sentido, tal mobilização é essencial na busca pela participação política. Entretanto, atualmente, ainda que amparado pela liberdade de expressão e pela tecnologia, o modelo vigente ainda porta resquícios históricos negativos, os quais desestimulam os jovens a lutar por seus direitos.
Nesse contexto, é notório que a política não é devidamente discutida no âmbito escolar. De acordo com a pesquisa “Agenda Juventude Brasil”, 54% dos jovens entrevistados, entre 15 e 29 anos, consideram a política muito importante, todavia, as escolas debatem sobre o tema apenas sob o viés didático, como em disciplinas de história e filosofia, e não aprofundam o assunto, pois, além do diálogo, deve haver projetos de pesquisa, debates e outras formas de abordar assuntos políticos, já que, assim como afirma a cofundadora e educadora do projeto “Pé na escola”, Mariana Vilella, mais que passar conceitos, a preocupação deveria ser passar a mensagem sobre o que é o pensar e o agir politicamente.
Além disso, o fato de o governo não saber como levar a pauta política para os jovens contribui para que eles se sintam desestimulados sobre o assunto. Sabe-se que os jovens, por serem mais escolarizados e terem mais acesso a informações que os pais, como afirma o presidente da pesquisa Data Popular, Renato Meirelles, influenciam no voto da família e podem até decidir eleições, no entanto, os partidos políticos não os tratam como prioridade, utilizando de ferramentas comunicacionais atrasadas, como o rádio, para anunciar seus projetos, visto que, esse é um aparelho pouco usado na contemporaneidade, principalmente pelos adolescentes. Nota-se que é de extrema importância que o governo para de pensar no passado e passe a olhar para o futuro, em que os jovens, como principais eleitores, estão.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. É dever do Ministério da Educação, em parceria com as políticas públicas, promover, nas escolas, ações educativas como palestras e oficinas, com o objetivo de introduzir uma compreensão da realidade social, dos direitos e a afirmação do princípio e participação política. Ademais, cabe às Organizações Governamentais investir no uso da tecnologia e de redes sociais, como o Twitter, para promover seus projetos, com o fito de construir um território político direcionado ao reencontro com o jovem brasileiro.