A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 18/09/2019
Na Grécia Antiga, aqueles que detinham o título de cidadãos reuniam-se na ágora para discutir o futuro da pólis, e, naquela sociedade, participar das decisões políticas era a principal obrigação que o homem deveria ter. Diferente dessa realidade, hoje, no Brasil, o conturbado meio político reflete em um povo cada vez mais desinteressado em participar das decisões que regem o país, evidenciando a necessidade de educar criticamente os jovens da sua importância para a transformação da nação.
É mister avaliar, antes de tudo, a participação do jovem no cenário político como concretização de sua cidadania. Nesse sentido, consoante ao pensamento de Aristóteles, o homem é um ser político, e, por isso, deve participar ativamente das decisões que afetam sua vivência em sociedade. Acerca disso, muitos jovens no Brasil - desiludidos, seja pelo alto índice de corrupção, seja pelo desconhecimento de sua importância para decidir os rumos do país - se abstêm de votar, e isso reflete significantemente no processo eleitoral, visto que, de acordo do publicado pelo jornal O Estadão, 45 milhões de eleitores brasileiros - dos 144 - são jovens com idade entre 16 e 33 anos. Tal realidade demonstra a necessidade de reformulação do pensamento social, voltada para o estímulo à responsabilidade civil.
Ademais, é válido analisar a força da população jovem nos processos em busca de seus direitos sociais e democráticos. Nesse viés, manifestações como as “Diretas Já” e as “Jornadas de Junho”, no Brasil, foram fomentadas por parte da juventude brasileira, que, ciente do seu papel na democracia e de seu poder transformador, foi para as ruas em busca de mudanças na realidade nacional. Desse modo, ações como essas vão ao encontro do pensamento do filósofo Sartre, na medida em que esse afirma que a a ação humana é responsável por mudar a história, e gabaritam rica oportunidade de efetivação do dever político de cada um, assim como mecanismos de defesa dos direitos do cidadão.
Entende-se, portanto, a necessidade de estimular os jovens para que esses tenham voz ativa na condução, e na construção de seu país. Assim, urge uma ação conjunta, na qual o Poder Público e a mídia desenvolvam campanhas publicitárias com uma linguagem que atinja diretamente a população jovem brasileira, e alertem essa para a importância de suas obrigações civis, usando, para isso, redes sociais - como Facebook e Instagram - no intuito de criar cidadãos conscientes e responsáveis sobre os seus direitos e deveres. Nessa mesma linha de ação, as instituições de ensino, com sua grande influência na formação pessoal e na construção de opiniões, deve abordar, na disciplina de História do Brasil, as manifestações sociais da juventude de forma crítica, abrindo espaço para debates acerca dos desdobramentos dessas no processo democrático do país, de modo a educar os jovens para que sejam eles os agentes transformadores da sociedade.