A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 17/10/2019
Em 1983, milhares de jovens saíram às ruas para colocar em prática um dos maiores eventos de valor patriótico: Diretas Já. Todavia, substancial parcela da juventude contemporânea encontra-se passiva no que se diz a respeito à participação política no Brasil. Logo, é imprescindível analisar os fatores de alienação e do individualismo que corrobora falta de engajamento do jovem na política.
Convém ressaltar, a princípio, que o problema advém, em muito, da perda do senso crítico do jovem por parte dos conteúdos difundidos. A esse respeito, o filósofo Theodor Adorno desenvolveu o conceito “Industria Cultural”, segundo o qual a mídia manipula as informações para padronizar comportamentos e assim, inviabiliza o valor do pensamento próprio. Nesse viés, os jovens estão imersos em conteúdos esvaziados de senso crítico e são incapazes de desenvolver opiniões consistentes acerca do contexto político de seu país, já que os meios televisivos difundem — na maioria dos casos — informações distorcidas, como defendido por Adorno. Todavia, enquanto a influência midiática for a regra, a participação eficaz do jovem na política será a exceção.
De outra parte, o individualismo contemporâneo contribuí para a imparcialidade nas questões públicas do país. À vista disso, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, em sua obra “Modernidade Líquida”, que a sociedade pós-moderna busca apenas suas próprias ambições, em detrimento da coletividade. Sob tal ótica, o egoísmo vivenciado pelos jovens — um dos maiores conflitos denunciado por Bauman — fragiliza o seu engajamento nas questões sociais e políticas do país, uma vez que os indivíduos são incapazes de tomar atitudes altruístas para o desenvolvimento da democracia brasileira. Assim, não é razoável que a participação política seja tratada com indiferença em uma nação que almeja tornar-se desenvolvida.
Impende, pois, que a passividade do jovem na participação política seja repudiada no Brasil. Logo, cabe ao Governo Federal, em parceria com os meios televisivos, com concessão estatal, desenvolver campanhas publicitárias que estimulem, com clareza, o valor da participação política do jovem para a transformação e desenvolvimento nacional. Essa inciativa teria como finalidade reverter o quadro da indiferença deixada pelo individualismo contemporâneo e transmitir, com veemência, o legado histórico de 1983 para a juventude brasileira.