A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 19/10/2019
Na década de 1980, eclodiu, no Brasil, um movimento conhecido como “Diretas Já”, no qual uma geração emergiu em meio à ditadura para exigir o seu direito à participação política por meio do voto. Apesar de não atingir pleno êxito, foi um importante marco para democracia. Há indivíduos, entretanto, que afirmam ter sido uma batalha em vão, uma vez que, com seu olhar míope, apenas levam em consideração os baixos índices de jovens eleitores e não conseguem perceber o engajamento da juventude de uma maneira reformulada.
Em primeiro plano, é cabível dizer que, por causa do atual cenário político brasileiro caótico, a população, sobretudo aquela parcela que está iniciando sua participação no meio púbico, se encontra desacreditada e, por isso, se abstém, muitas vezes, de um direito conquistado através de bastante luta: a participação política por meio do voto. Evidenciando tal fato, é possível observar, segundo dados da Empresa Brasil de Comunicação, uma diminuição da quantidade de adolescentes entre 16 e 18 anos que votam antes da idade obrigatória.
Todavia, é um equívoco enxergar a participação na política somente pelo ato de votar. Nos dias hodiernos, nota-se uma ressignificação no sentido de engajamento políticos dos jovens. Grande parte destes, ainda que não votem, fomentam uma discussão, principalmente nas redes sociais, a respeito de várias pautas socioeconômicas e políticas. A partir desse debate virtual, diversas manifestações são planejadas e executadas nas ruas, como a de 2013 em que os jovens se juntaram e conseguiram evitar um aumento no preço da passagem do transporte coletivo. Dessa forma, a busca por melhorias se mantém viva, sendo os jovens não votantes mais ativos que uma grande parcela dos eleitores que, salvo o voto, não corroboram a atividade política.
Infere-se, portanto, que, ao contrário do que muitos indivíduos pensam, o jovem do século XXI tem se mostrado ativo, utilizando as ferramentas que estão à disposição para conquistar seu espaço. Contudo, é imprescindível que a participação política juvenil seja cada vez mais efetiva. Para isso, é importante que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério Público Eleitoral, promova um projeto nas escolas, contendo dinâmicas, palestras e simulações que demonstrem a importância de ser um cidadão envolvido nos assuntos públicos. Assim, os jovens podem perceber que, mesmo em um ambiente de caos, eles têm um enorme poder transformador e, por conseguinte, podem provocar um elevado desenvolvimento intelectual da nossa nação.