A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 22/12/2019

Na década de 80 o movimento “Diretas já” foi marcado pela participação de diversos setores da sociedade, incluindo os jovens que foram representados pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Nos dias atuais, a presença da juventude na política tem sido questionada cada vez mais, se estão alheios à realidade ou se estão transferindo as manifestações das ruas para as redes sociais. Além disso, a descrença e a desmotivação causadas pela má gestão dos governantes, propiciam para o cidadão não exercer seu papel.

A princípio, é de suma importância levar em consideração que um indivíduo politicamente ativo não se restringe ao voto. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o número de eleitores entre 16 e 17 anos em 2006 corresponderam a 36,9%, já em 2010 esse número reduziu para 34,8%. No entanto, muitos dos que abstiveram-se buscam outras formas de se engajar na política, como por exemplo, por meio das redes sociais. Nesse cenário, em 2011 alastrou-se por todo o mundo a Primavera Árabe com uma onda de protestos, que teve a internet como aliada principal na queda de vários governantes da região.

Ademais, o descontentamento político dessa faixa etária é influenciado pelo momento de crise que o país está passando, marcado pela forte corrupção. Isso provoca a ausência de sentimento de pertencimento e, consequentemente, a abstenção da participação na política. Nesse sentido, uma pesquisa realizada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a diminuição da quantidade de adolescentes entre 16 e 18 anos que não votam enquanto não são obrigados é apenas mais uma prova disso. Somado a isso, o fator cultural de não se discutir sobre o tema no cotidiano culminam na falta de senso crítico desse grupo, apesar da escola valorizar muito o conteúdo, pouco se prepara o aluno para o “ser cidadão”.

Fica evidente, portanto, que as escolas e lares são ambientes que podem transformar essa postura do jovem brasileiro frente ao seu dever civil que é o ato de votar. Assim, faz-se necessário que o MEC estabeleça portarias para que as escolas ampliem as discussões acerca do cenário político brasileiro a fim de que as crianças (futuros eleitores) possam amadurecer seus pensamentos e participem de forma efetiva nesse contexto, Cabe ainda à sociedade quebrar os paradigmas que existem sobre as duscussões dentro das residências brasileiras, que são evitadas devido às divergências de interesses.