A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 08/01/2020

É possível que o brasileiro nascido no final do século XX veja o voto como um direito transcendental, inato, mas nem sempre foi assim. O conjunto de direitos e garantias que compõem a cidadania são fruto de diversas batalhas, físicas e ideológicas, dentre as quais a Revolução Francesa, e o movimento “Diretas Já”, crucial para o retorno da democracia brasileira, constituem exemplos de âmbito mundial e nacional, respectivamente. Todavia, apesar de todas as conquistas populares, hoje, a falta de informação e de confiança no sistema representativo afastam a juventude brasileira do cenário político.

Os jovens,  embora revoltados, de modo geral, não conhecem a estrutura política e não compreendem o seu funcionamento, a carência de ensino acerca do sistema representativo, cuja complexidade apenas aumenta, soma-se à desconfiança desencadeada pelos recentes escândalos de corrupção, como o “Mensalão” e o “Petrolão”. Nesse sentido, estudos apontam para elevadas taxas de descontentamento entre a parcela mais jovem da população, em pesquisa realizada pelo Secretaria Nacional de Juventude, a corrupção foi identificada como sendo a sua principal preocupação. Ademais, percebe-se que a corrupção generalizada deu vida ao fenômeno designado por cientistas políticos, dentre os quais Cicero Araujo, como “crise de representatividade”, situação em que os eleitores não mais sentem-se representados por aqueles que, oficialmente, estão encarregados.

Como consequência, e de maneira cíclica, a baixa participação da população descontente redunda na manutenção das próprias práticas que provocaram a inércia. Os jovens representam 1/3 do eleitorado brasileiro, mas a importância dessa parcela potencializa-se na medida em que considera-se o papel formador dessa geração com relação às próximas. Além disso, o alastramento do desinteresse entre a generalidade dos cidadãos permite que os assentos parlamentares sejam ocupados majoritariamente pelos descendentes, e herdeiros ideológicos, de famílias envolvidas há gerações no meio político brasileiro, notórias pelo seu “modus operandi” de caráter caudal.

Diante da problemática exposta, propõe-se a implementação de um projeto que tenha o jovem como alvo e como protagonista. Assim, a falta de informação e de confiança serão abordados, respectivamente, pelo desenvolvimento dos grêmios estudantis e pela implementação de disciplinas voltadas à compreensão do sistema político, cuja criação e reforço dependem de uma coordenação entre diretrizes de autoria do Ministério da Educação e esforços das lideranças estudantis. O objetivo é  preparar os jovens para um engajamento consciente na vida política, tanto nas escolas públicas como nas privadas. Por advento de uma participação informada, a juventude será capaz de restaurar a confiança no sistema de representação democrático.