A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 11/02/2020

Os movimentos estudantis, ocorridos em meados de 1960 e 1970, influenciaram significativamente os rumos da política nacional. Nota-se, nesse período, que a luta, em razão da falta de representatividade, era motivada pelo anseio juvenil em exercer a cidadania. Nesse sentido, diferente da mobilização ocorrida nas décadas anteriores, no século XXI, a participação política tem sido negligenciada, em ressalto, pelos jovens brasileiros, seja em razão do descrédito político, seja impulsionada pela falta de incentivo estudantil.

A priori,o envolvimento político pela sociedade simboliza um marco da conquista cidadã, que desde o período Colonial lutava contra as discriminações e limitações no âmbito da atuação política.Nesse viés, esperava-se maior empenho juvenil ao exercer o direito ao voto, por exemplo.Contudo, segundo o Instituto Ipsos, somente um em cada dez cidadãos vêem o Brasil como um país onde a democracia é respeitada. Entende-se, portanto, que o desinteresse e descontentamento político pela sociedade dar-se-á em razão da falta de representatividade política.

A posteriori, compreender a participação política como uma forma de influenciar de maneira efetiva as políticas locais, regionais, nacionais e internacionais, possibilita, ao jovem, o redirecionamento motivacional para exercer a cidadania. Entretanto, a ineficaz educação brasileira corrompe o valor do sufrágio universal e direto. Dessa forma, análogo ao filósofo Paulo Freire, se a educação sozinha não for capaz de mudar a sociedade, sem ela tampouco haverá alguma transformação. Seguindo essa perspectiva, a forma mais eficaz de buscar o envolvimento político, seria incentivar os jovens, por meio da educação, a mobilizar mudanças sociais relevantes.

Por tudo isso, tendo em vista a busca pela representatividade política e, principalmente, o despertar do anseio juvenil em exercer a cidadania, o Governo Federal deve promover a criação de cotas para jovens nos partidos políticos, como política afirmativa, cujo objetivo significa combater discriminações étnicas, raciais, religiosas, de gênero, aumentando não só a participação de minorias no processo político. Ademais, cabe ao MEC proporcionar o incentivo a abordagem de questões políticas nas escolas, propondo debates mensais interescolares de modo que estimule a formação de representantes e grêmios estudantis, a fim de impulsionar a participação política dos jovens brasileiros.