A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 02/05/2020
Na Grécia Antiga, o filósofo Aristóteles destacava que a cidadania dependia diretamente da participação política exercida pelos indivíduos. No entanto, esse direito era provido à menor parte da população, visto que haviam diversas restrições para tornar-se um cidadão. Nos dias atuais, em contraste, há uma maior liberdade de influência política, contudo, observa-se um limitado engajamento por meio da população jovem brasileira nesse setor. Decerto, o descrédito em relação aos atuais representantes políticos e as formas de participação tradicionais são os principais causadores dessa apatia. Logo, é urgente que essa conjuntura nefasta seja erradicada.
Em primeiro plano, a crise política e as recorrentes notícias sobre corrupção por parte de políticos leva os jovens a descrer na evolução da democracia. Nesse raciocínio, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, confirma essa realidade ao afirmar que as pessoas já não acreditam no sistema democrático porque ele não cumpre as suas promessas. Nesse sentido, essa displicência pela população jovem identifica uma crise na democracia e o colapso da confiança política, a qual corrobora com o desenvolvimento de uma sociedade comodista e individualista. Portanto, é necessário que esse cenário atual sofra um processo de desconstrução.
Outrossim, o desconhecimento por parte dos jovens das diversas maneiras de participar politicamente resulta nessa indiferença. Nesse sentido, como observado durante a ditadura militar, o engajamento político não se define somente ao ato de votar, uma vez que não era possível exercer de tal direito durante o período. Durante esse regime, a participação era por meio de debates e protestos, em maioria, contrariando a política nacional da época que se caracterizava por abolir a liberdade de expressão. Sob esse prisma, ao não manter tais hábitos, a formação de uma juventude com a supracitada apatia, como a atual, será mais agravada. Dessa maneira, é urgente que esse comportamento seja mitigado.
Urge, portanto, a necessidade de influenciar a população jovem a participar da política brasileira, visto que essa atitude está limitada atualmente. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação, o órgão que detém do maior poder sob essa causa, influencie os jovens a discutirem mais sobre política através da criação de grupos com tal propósito em escolas e universidades. Essa proposta será feita para que a limitada participação política pelos jovens seja erradicada. Pois, somente assim, com uma sociedade que estuda política, será possível o exercimento pleno da democracia.